Defesa critica pedido de prisão preventiva de Vaccari

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Defesa de João Vaccari Neto vai pedir que o novo processo contra o ex-presidente da Bancoop à 5ª Vara Criminal de São Paulo Arquivo/Agência Brasil

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Após denúncia, Planalto atua para blindar ex-presidente Lula

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Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Diante do agravamento da crise e com uma ala do PMDB querendo romper com o governo, a presidente Dilma Rousseff convidou seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, para ocupar o ministério que cuida da articulação política. A estratégia planejada pelo Palácio do Planalto tem o objetivo de barrar o impeachment e ainda blindar Lula, alvo da Operação Lava-Jato.

Em conversa com 25 senadores do PMDB, do PT e de outros partidos aliados, o ex-presidente admitiu na quarta-feira que o governo está por um fio, mas disse que não assumirá um ministério. Alegou que sua entrada na equipe passaria a imagem de confissão de culpa no caso investigado pela Lava-Jato, mas, mesmo assim, pediu a opinião dos presentes sobre o assunto. O grupo se dividiu.

No Planalto, porém, cresce a pressão para Lula ocupar a Secretaria de Governo, hoje comandada por Ricardo Berzoini, que, nesse caso, seria transferido para outra pasta. O próprio Berzoini é entusiasta da ideia.

— Eu não preciso ser ministro para ajudar o governo — afirmou Lula na quarta-feira, em café da manhã na residência oficial do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

De qualquer forma, para alguns ele prometeu “pensar” no assunto. A Lava-Jato avança cada vez mais sobre Lula, o Planalto e o PT.

— Qual time não gostaria de colocar o Pelé em campo? — perguntou Berzoini, que procura convencer o ex-presidente a voltar atrás e aceitar o convite.

— A bola sempre esteve com ele. Depende de ele querer — afirmou.

Auxiliares de Dilma e parlamentares do PT e do PMDB estão convencidos de que Lula pode ser preso e, para escapar do que chamam de “caçada” do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro, precisa ocupar uma cadeira na Esplanada. No comando de um ministério, o ex-presidente ganharia foro privilegiado e seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal, e não por Moro, considerado implacável com investigados da Lava-Jato.

Ao comentar na quarta-feira sua condução coercitiva para prestar depoimento à Polícia Federal, na sexta-feira, Lula pediu forte reação dos senadores às “arbitrariedades” cometidas pela Lava-Jato.

— Se eu quisesse, poderia incendiar o país, mas esse não é meu papel. Sou um homem da paz — afirmou ele, de acordo com relatos de três participantes do café na casa de Renan.

À noite, Lula foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo no caso do triplex do Guarujá (SP), que ele nega possuir.

— Já disse um milhão de vezes que esse apartamento não é meu — insistiu o petista.

O ex-presidente almoçou na quarta-feira com Dilma e com os ministros Berzoini e Jaques Wagner (Casa Civil), no Palácio da Alvorada. Voltou a falar da necessidade de uma guinada na política econômica, mas disse ser difícil fazer isso agora porque o governo está “muito frágil”.

A maior preocupação é com a ameaça de desembarque do PMDB. Após sair do almoço no Alvorada, na quarta-feira, Wagner foi conversar com o vice Michel Temer, que disse a ele que não deve haver anúncio de rompimento no sábado.

Fonte: Estadão

Polícia deflagra nova fase da Lava Jato na casa do ex-presidente Lula

Ação é realizada desde a madrugada desta sexta-feira (4) em 3 estados.
Lula é alvo de mandado de condução e terá que prestar depoimento.
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PF faz operação na casa do ex-presidente Lula (Foto: Reprodução/TV Globo)

A Operação Lava Jato, que começou em março de 2014 e investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, chegou na 24ª fase nesta sexta-feira (4). Segundo a PF, a operação ocorre na casa do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, em São Bernardo do Campo, e em outros pontos em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia.

O ex-presidente é alvo de um dos mandados de condução coercitiva e será obrigado a prestar esclarecimentos, segundo a Polícia Federal.

A ação foi batizada de “Aletheia” e é uma referência a uma expressão grega que significa “busca da verdade”. Às 6h50, policiais estavam em frente ao Instituto Lula, em São Paulo.

Ao todo, foram expedidos 44 mandados judiciais, sendo 33 de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva – quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento.

De acordo com a PF, entre os crimes investigados nesta etapa estão corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros praticados por diversas pessoas no contexto de esquema criminoso revelado e relacionado à Petrobras.

23ª fase
A 23ª fase, batizada de Acarajé, foi deflagrada no dia 22 de fevereiro e prendeu o marqueteiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Santana, além de mulher dele Monica Moura. João Santana e a mulher Mônica Moura são suspeitos de receber US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior. A PF suspeita que os recursos tenham origem no esquema de corrupção na Petrobras investigado na Lava Jato.

Ele é publicitário e foi marqueteiro das campanhas da presidente Dilma Rousseff (PT) e da campanha da reeleição do ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2006.

Acarajé era o nome usado pelos suspeitos para se referirem ao dinheiro irregular. A PF suspeita que os recursos tenham origem no esquema de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato. Uma das principais linhas de investigação são os repasses feitos pela Odebrecht ao marqueteiro.

A pedido da PF e do MPF, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na 1ª instância, decidiu converter a prisão temporária do casal para preventiva. Com isso, eles ficarão presos por tempo indeterminado.

Fonte: G1

PF apura eventual atuação de Lula em venda de MPs

Suposto esquema é investigado na operação Zelotes.

PF apura eventual atuação de Lula em venda de MPs | Foto: Nelson Almeida / AFP / CP

PF apura eventual atuação de Lula em venda de MPs | Foto: Nelson Almeida / AFP / CP

Em ofício enviado à Justiça, o delegado da Polícia Federal (PF) Marlon Cajado afirmou que um inquérito em curso na operação Zelotes apura se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros políticos e agentes públicos estão envolvidos em suposto esquema de “venda” de medidas provisórias no governo federal.

A lista apresentada pelo policial inclui também o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o ex-chefe da gabinete de Lula Gilberto Carvalho.

O documento foi enviado na última terça-feira ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília. Conforme Cajado, a investigação é necessária para atestar se outros servidores públicos e autoridades, além dos já denunciados à Justiça, foram corrompidos para facilitar a edição das MPs ou se apenas foram vítimas de tráfico de influência praticado por lobistas interessados nas normas.

O ofício de Cajado visa rebater críticas de advogados de defesa da Zelotes, que alegam haver um inquérito “paralelo” investigando os mesmos fatos já denunciados à Justiça. Eles pedem que o procedimento seja trancado. Na 10ª Vara, tramita ação penal que avalia a conduta de 14 réus.

O delegado argumentou que, embora dois ex-servidores públicos já estejam denunciados – a ex-assessora da Casa Civil Lytha Spíndola e o ex-diretor de Comunicação do Senado Fernando Mesquita -, “os demais documentos juntados aos autos apontavam para eventuais colaborações de outros servidores públicos para a consecução dos interesses da organização criminosa”.

“Buscando-se evitar conclusões precipitadas, fez-se necessária a instauração de novo procedimento policial (sic) tentar alcançar a verdade real sobre sobe os fatos apurados, isto é, se outros servidores públicos foram, de fato, corrompidos e estariam associados a essa organização criminosa ou se esta estaria ‘vendendo fumaça’, vitimando-os e praticando tráfico de influência com relação aos mesmos, a saber, Erenice Alves Guerra, Dyogo Henrique e Oliveira, Nelson Machado, Luiz Inácio Lula da Silva”, escreveu o delegado.

Improrrogável Cajado alega que a denúncia contra parte dos investigados no caso das MPs, já aceita e convertida em ação penal, foi oferecida porque investigação a respeito era improrrogável por envolver pessoas presas.

Ele disse que o outro inquérito foi aberto para averiguar a possibilidade de “corrupção” dos outros servidores, pois ainda estava pendente a análise de várias provas, incluindo o material apreendido em computadores.

Lula depôs na Zelotes em janeiro. Na ocasião, o delegado já queria ouví-lo como investigado, mas, temendo repercussão política, a defesa do ex-presidente fez um apelo para que ele falasse como informante.

Lula era presidente quando duas das medidas sob suspeita foram editadas, a MP 471/2009 e a MP 512/2010. O filho caçula do petista, Luís Cláudio Lula da Silva, recebeu R$ 2,5 milhões do lobista Mauro Marcondes Machado, um dos lobistas presos na Zelotes, acusado de atuar no suposto esquema de corrupção para viabilizar as normas, que prorrogaram incentivos fiscais de montadoras de veículos.

A PF suspeita de que os pagamentos possam estar relacionados à edição de uma terceira MP, a 627/2013, e também à compra de caças pelo governo brasileiro.

*Correio do Povo

Ministério Público Federal oferece denúncia por fraude em licitação no município de Bom Progresso

Ação Penal tramita na Justiça Federal de Palmeira das Missões/Foto: TP News

Ação Penal tramita na Justiça Federal de Palmeira das Missões/Foto: TP News

A Procuradoria da República no município de Santa Rosa apontou a existência de fraude em licitaçãopara a construção de escola no município de Bom Progresso, licitação que teria ocorrido no ano de 2014.

Foram denunciados os representantes das empresas Construções Primo, Boa Fé Construções e Construtora Negri, todas com sede na cidade de Palmitinho.

Segunda a denúncia, os valores das propostas teriam sido ajustados entre os participantes, tendo os preços sido elevados de forma proposital, de modo que o custo da obra ficou acima do orçamento proposto.

Foram deferidas medidas cautelares de bloqueio de ativos e indisponibilidade de bens, as quais foram deferidas pela Justiça Federal.

Segunda a Procuradora da República, Dra. Letícia Carapeto Benrdt, que assina a denúncia, as investigações seguem na Polícia Federal de Santo Ângelo e outras pessoas poderão ser denunciadas.

A Ação Penal possui o número 5001801-45.2015.4.04.7127 e tramita na Justiça Federal de Palmeira das Missões.

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*Três Passos News

Em ação da Lava Jato, PF prende proprietária de triplex no Guarujá

Ex-presidente Lula teria apartamento na torre vizinha.

Em ação da Lava Jato, PF prende proprietária de tríplex no Guarujá | Foto: Polícia Federal / Divulgação / CP

Em ação da Lava Jato, PF prende proprietária de tríplex no Guarujá | Foto: Polícia Federal / Divulgação / CP

A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quarta-feira em São Paulo, Neuci Warken, que consta como proprietária do triplex 163 B no Condomínio Solaris, da OAS, no Guarujá, cidade do Litoral de São Paulo. O apartamento que seria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o triplex 164 A, na torre vizinha.

A prisão foi feita no âmbito da 22ª fase da Operação Lava Jato, denominada Triplo X, que teve início hoje com operações em São Paulo e em São Bernardo e Santo André, no ABC Paulista. A PF também está fazendo investigações em Joaçaba, em Santa Catarina.

São alvos da operação a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), o Grupo OAS e a Mossac Fonseca, empresa que teria montado offshores. Segundo a PF, este desdobramento da Lava Jato apura “a existência de estrutura destinada a proporcionar a investigados na operação policial a abertura de empresas offshores e contas no exterior para ocultar ou dissimular o produto dos crimes de corrupção, notadamente recursos oriundos de delitos praticados no âmbito da Petrobras”.

*Correio do Povo

Delator da Lava Jato diz que pagou cerca de R$ 7 milhões para Dirceu

Júlio Camargo foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro nesta sexta-feira (22).
Segundo o operador, valores foram pagos em dinheiro e horas de voo.
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O ex-ministro José Dirceu foi preso em agosto na Operação Lava Jato (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

O delator da Operação Lava Jato Júlio Camargo afirmou nesta sexta-feira (22) em interrogatório na Justiça Federal do Paraná que fez pagamentos de cerca de R$ 7 milhões oriundos propina para o ex-ministro José Dirceu. Segundo o lobista, já condenado em dois processos, os recursos foram pagos para emissários de Dirceu, e através de horas de voo em aeronaves de Camargo.

Além das condenações, Júlio Camargo ainda é réu no processo que apura a participação de José Dirceu no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. O interrogatório é a última etapa antes das alegações finais, que precedem a sentença. José Dirceu será interrogado na próxima sexta-feira (29).

O advogado Roberto Podval, que representa o ex-ministro, afirmou que os valores recebidos por Dirceu não eram propina. “Todos os pagamentos feitos e recebidos por ele foram por conta de serviços prestados. Não é verdade”, disse ao G1.

Questionado pelo juiz Sérgio Moro, Júlio Camargo disse que os pagamentos para José Dirceu foram feitos a pedido do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. O delator disse que tinha uma conta corrente junto com Duque e o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco para pagamentos de propina. “Num momento Renato Duque me chamou e disse, Júlio, da nossa conta corrente eu quero que você destine R$ 4 milhões a José Dirceu”, relatou.

A defesa de Renato Duque não atendeu às ligações da reportagem.

A partir de então, o delator diz que foi procurado por outro operador, Milton Pascowitch, que se apresentou como representante de José Dirceu e estabeleceu um cronograma de pagamentos.

Deste total, R$ 2 milhões foram pagos entre 2008 e 2009, e R$ 1 milhão em 2010, sempre em dinheiro retirado por emissários de Dirceu, nunca pessoalmente por ele. “O saldo de R$ 1 milhão foi feito numa conta de afretamento de aviões que o ministro utilizava e que eram de minha propriedade”, detalhou. Esses pagamentos já haviam sido mencionados por Camargo em outro depoimento à Justiça.

Além desses pagamentos, porém, Júlio Camargo disse nesta sexta que fez repasses de uma comissão que recebeu por intermediar um negócio de uma empresa de tubos com a Petrobras, na qual contou com apoio de Renato Duque. “Fui chamado novamente pelo Duque e ele disse que metade dessa comissão eu tinha que destinar ao José Dirceu”, disse.

Por esse contrato, Júlio Camargo disse que repassou cerca de R$ 3 milhões para emissários do ex-ministro. Ele não soube precisar as quantidades, mas disse que neste caso o repasse também dividido entre entregas de dinheiro ou horas de voo.

Apesar de ter conhecido José Dirceu pessoalmente, inclusive o recebendo em casa para jantares, Camargo disse que nunca falou sobre propina com ele. “Na minha frente ele nunca conversou sobre propina. O ministro José Dirceu nunca chegou pra mim e disse: Júlio, saiu esse contrato, estou precisando. Nunca”, garantiu.

Perguntado por Moro, porém, o delator disse que acreditava que Dirceu sabia que o dinheiro que recebia era intermediado por ele. “O ambiente mostrava que a regra do jogo era conhecida não só pelos empresários, mas pelos políticos também”, justificou.

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Júlio Camargo disse que pedidos de dinheiro para Dirceu foram feitos por Duque (Foto: Reprodução)

Compra de avião
Júlio Camargo ainda negou que tenha sido sócio de José Dirceu em uma das aeronaves utilizadas pelo ex-ministro. Camargo disse que foi procurado por Pascowitch, que negociou a compra de parte de um dos aviões em nome da empreiteira Engevix. O delator disse que, inclusive, chegou a receber o dinheiro de Pascowitch em 2011, mas que o negócio não se concretizou.

“Eu vendi a aeronave para a Engevix, nunca para José Dirceu. O Milton alegou que a Engevix não queria mais, porque a compra não havia passado numa reunião do conselho”, disse o delator. Júlio Camargo disse que acredita que Pascowitch tenha utilizado recursos que seriam de José Dirceu para fazer o negócio, mas que com a desistência da Engevix precisou dos recursos para fazer o acerto com o ex-ministro.

O delator disse que, após ser pressionado por Pascowitch, acabou estabelecendo um cronograma de pagamentos, e que restituiu os valores integralmente. Com o acordo de delação firmado por Júlio Camargo, o avião foi entregue ao Ministério Público, disse.

Outro lado
O advogado de José Dirceu, Roberto Podval, disse que todo o dinheiro que o ex-ministro recebeu foi em função de serviço prestado, com nota fiscal emitida. Afirmou ainda que Dirceu não recebeu propina de Júlio Camargo e que tem a impressão de que as pessoas se favorecem nas delações usando o nome de José Dirceu.

Fonte: G1

Pena de delatores cai de 283 para 7 anos, diz jornal

De 283 anos e 9 meses para seis anos e 11 meses de reclusão somados. Esse será o novo tempo de pena para 13 delatores da Operação Lava Jato após a colaboração com a Justiça. As informações são do jornal Folha de S. Paulo .

Depoimento à  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista da Petrobras do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró (Wilson Dias/Agência Braisl)

Depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista da Petrobras do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró (Wilson Dias/Agência Braisl)

De acordo com o jornal, os dados foram levantados com base no balanço divulgado pelo juiz Sergio Moro no fim de 2015 levando em conta apenas os processos em que o juiz já definiu as sentenças.

Para Moro e os integrantes da força-tarefa da operação, as delações têm sido importantes para o avanço das investigações. “Nos acordos de colaboração, o princípio é de que se troca um peixe por um cardume, ou um peixe pequeno por um peixe grande”, diz o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da operação. Segundo ele, “as operações são feitas para alcançar provas em relação a diversas outras pessoas e para recuperar o dinheiro desviado.”

Os acordos feitos- foram cerca de 40 – permitiram acusações por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa contra 179 pessoas, sendo que 80 delas já foram condenadas- as penas totais somam 783 anos de prisão.

Saiba quem são os delatores e suas penas:

Delator Antiga Pena Após a delação
Alberto Youssef (doleiro) 82 anos e 8 meses 3 anos (regime fechado)
Augusto Mendonça (ex-executivo da Toyo Setal) 16 anos e 8 meses Não foi preso e passará 4 anos em regime aberto
Dalton Avancini (ex-presidente da Camargo Corrêa) 15 anos e 10 meses 3 anos e 3 meses (sendo 2 anos no semiaberto, 1 ano em prisão domiciliar e 3 meses em regime fechado)
Eduardo Leite (ex-vice-presidente da Camargo Côrrea) 15 anos e 10 meses 3 anos e 3 meses (sendo 2 anos no semiaberto, 1 ano em prisão domiciliar e 3 meses em regime fechado)
Fernando Baiano (apontado como operador do esquema) 16 anos, 1 mês e 10 dias 4 anos (sendo 2 anos em semiaberto, 1 ano em prisão domiciliar e 1 ano em regime fechado)
Julio Camargo (lobista, representava a Toyo Setal) 26 anos Não foi preso e passará 5 anos em regime aberto
Mario Goes (Lobista)

18 anos e 4 meses

3 anos, 5 meses e 25 dias (sendo 2 anos em regime semiaberto, 1 ano em prisão domiciliar e 5 meses e 25 dias em regime fechado)
Nestor Cerveró (ex-diretor internacional da Petrobras) 17 anos, 3 meses e 10 dias 3 anos (divididos entre prisão domiciliar e regime fechado)
Paulo Roberto Costa (ex-diretor de abastecimento da Petrobras) 39 anos e 5 meses 2 anos e 6 meses (sendo 1 ano em regime semiaberto, 1 ano em prisão domiciliar e 6 meses em regime fechado)
Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras) 18 anos e 4 meses 2 anos (regime semiaberto)
Rafael Ângulo (trabalhava para Youssef) 6 anos e 8 meses 2 anos (regime semiaberto)
Carlos Alberto Pereira da Costa ( trabalhava para Youssef) 7 anos e 8 meses Negociou acordo que ainda não foi divulgado
João Procópio (trabalhava para Youssef) 3 anos 2 anos e 6 meses (prisão domiciliar)
Fonte: O Financista

Mensagens de executivo da Lava-Jato citam três ministros

Nomes de Jaques Wagner (PT), Edinho Silva (PT) e Henrique Eduardo Alves (PMDB) aparecem nas investigações

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Edinho Silva (E), Henrique Eduardo Alves (C) e Jaques Wagner (D) Foto: Montagem sobre fotos de Dida Sampaio,Ronaldo Bernardi e Reprodução NBR / Estadão Conteúdo/Agencia RBS/NBR

As mensagens obtidas pela Operação Lava-Jato com a apreensão do celular do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido nos meios empresarial e político como Léo Pinheiro, devem servir de base para gerar uma nova lista de investigados a ser encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao menos três ministros aparecem nos diálogos obtidos na investigação: o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (PT); o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva (PT); e o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Na quinta-feira, o jornal O Estado de S.Paulo revelou mensagens de Pinheiro em que Jaques Wagner fala sobre a liberação de recursos do governo federal. Os diálogos, segundo os investigadores, também indicam que Wagner intermediou negociações para o financiamento de campanhas eleitorais em Salvador, em 2012, no período em que esteve à frente do governo da Bahia (2007-2014). Em uma primeira análise, o diálogo é considerado “grave” por investigadores.

A avaliação preliminar é de que as conversas de Léo Pinheiro escancaram os “intestinos de Brasília” e relações “pouco republicanas” de políticos com empresários na capital federal. Pinheiro tinha acesso a praticamente toda a classe política, de acordo com a investigação. Caberá ao grupo que auxilia Janot decifrar, nas próximas semanas, os supostos esquemas mencionados nos diálogos obtidos e identificar o que pode ser enquadrado como indício de crime — casos em que devem ser feitos pedidos de abertura de inquérito.

As mensagens do celular de Pinheiro foram transcritas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal no Paraná, onde correm as investigações da Lava-Jato na primeira instância. No fim de 2015, a PF encaminhou à Procuradoria os casos em que há menção a políticos com foro privilegiado. O celular de Léo Pinheiro levou ao conhecimento de investigadores tanto conversas diretas com os políticos, como contatos com intermediários e menções aos parlamentares e ministros.

Nomes

A lista de políticos mencionados nas conversas registradas no celular de Léo Pinheiro inclui, além dos três ministros de Estado, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também fazem parte das conversas, de acordo com fontes com acesso às investigações, os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Lindbergh Farias (PT-RJ); e os deputados federais Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Osmar Terra (PMDB-RS).

Léo Pinheiro usava apelidos para se referir aos políticos, como “Brahma” sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No caso de Lindbergh, a referência identificada pelos investigadores é a alcunha “lindinho”. Não há identificação, até o momento, de trocas de mensagens diretas entre Lula e o ex-presidente da OAS.

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari e o ex-deputado federal e ex-líder do partido na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP), já investigados na Lava Jato, também surgem nas mensagens. Ainda há conversas sobre o ex-tesoureiro do PT condenado no mensalão, Delúbio Soares, e sobre o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz.

A expectativa é de que na volta do recesso do STF, em fevereiro, parte das decisões da Procuradoria seja revelada. No total, o material com mensagens de Léo Pinheiro tem quase 600 páginas. O envolvimento do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, está entrelaçado às ações de Eduardo Cunha.

Há relatos de combinação de encontro entre Cunha e o ex-presidente da OAS, por exemplo, com intermediação de Henrique Eduardo Alves, segundo fontes com acesso ao material.

Defesas

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse em nota estar “à disposição do Ministério Público e demais órgãos competentes para quaisquer esclarecimentos”. Ele negou irregularidades na relação com Léo Pinheiro. Na nota, o ministro manifestou “repúdio à reiterada prática de vazamentos de informações preliminares e inconsistentes, que não contribuem para andamento das apurações e do devido processo legal”.

Também em nota, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), afirmou que “refuta qualquer ilação baseada em premissas equivocadas ou interpretações absurdas”.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também criticou o “vazamento seletivo” de informações. “Supostos diálogos que a PGR (Procuradoria-Geral da República) atribuiu a mim não são comigo. Também acho estranho que só vazaram diálogos comigo quando existem 632 páginas de conversas com outras pessoas”.

Zero Hora está tentando contato com o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS).

Fonte: Zero Hora

Pedaladas: Tesouro diz que governo pagou R$ 72 bilhões

O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira (30) que a União pagou R$ 72,375 bilhões em passivos junto a bancos públicos e ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Do total, R$ 55,572 bilhões se referem a passivos de 2014 e R$ 16,803 bilhões a obrigações de 2015.

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Otávio Lacerda fala sobre repasses atrasados Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O Tesouro explicou que fez os pagamentos seguindo entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU).

Do volume em pagamentos, R$ 70,9 bilhões são recursos da conta única do Tesouro. Destes, R$ 21,1 bilhões são recursos de emissões de títulos realizadas anteriormente, sem necessidade de emitir novos títulos. Os R$ 49,8 bilhões restantes vieram de outras fontes da conta única.

Além disso, o Tesouro informou que cerca de R$ 1,5 bilhão, devido ao Banco do Brasil, será acertado por meio da emissão direta de títulos, sem necessidade de realização de novos leilões. O secretário do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, concede entrevista esta tarde para falar sobre o pagamento dos repasses atrasados.

Fonte: Agência Brasil