Tragédia na Colômbia “Ninguém percebeu nada”, afirma o comissário boliviano que sobreviveu ao desastre da Chapecoense

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Erwin Tumiri declarou ao Fantástico que não fez procedimento de emergência e que o acidente não provocou desespero na aeronave

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Erwin Tumiri falou ao Fantástico Foto: Reprodução / Reprodução

 

Em duas ocasiões neste fim de semana, o comissário de bordo boliviano Erwin Tumiri desmentiu a informação, amplamente difundida desde o acidente aéreo que envolveu a Chapecoense, de que só sobreviveu porque, em meio ao pânico dos momentos que antecederam à queda, executou os protocolos recomendados para um desastre. De acordo com ele, não houve antecipação do que aconteceria, e o que a tripulação do LaMia 2933 e os passageiros sentiram antes do impacto foi a vibração de uma turbulência ou de um pouso um pouco mais difícil.
– Eu estava conversando com o técnico da Chapecoense, e ele estava me ensinando um pouco de português. Aí veio o aviso do piloto para afivelar os cintos, porque íamos pousar. O avião começou a vibrar e eu pensei que fosse um pouso normal. Só isso, não me lembro de mais nada – contou Tumiri em entrevista exclusiva concedida na noite de domingo ao programa Fantástico, da TV Globo.
Tumiri foi o primeiro sobrevivente a ter alta, e chegou no sábado a Cochabamba, sua cidade natal. Ele já havia contado versão semelhante para o médico Carlos Henrique Mendonça Silva, da Chapecoense, que foi à Colômbia prestar assistência aos sobreviventes. Ele também desmentiu uma informação que provocou amplas discussões ao longo da semana passada, a de que teria se salvado porque havia seguido os procedimentos de segurança recomendados de se proteger em posição fetal. A informação havia sido publicada em uma entrevista supostamente concedida por Tumiri ao jornal boliviano La Razón poucos dias após o acidente, e publicada na quinta-feira, dia 1º.
– Não, eu não disse nada disso. É a primeira vez que estou falando com a imprensa. – disse ao Fantástico, e reforçou – Em nenhum momento eu fiz isso. Ninguém percebeu nada de diferente. Era uma preparação para um pouso normal.
Ao falar sobre as prováveis razões do acidente, Tumiri criticou veladamente o comando do piloto Miguel Quiroga, um dos 71 mortos no desastre. De acordo com o comissário, o comandante mudou os planos de última hora e resolveu pular a parada no meio do caminho, em Cobija, onde poderia ter sido realizado o reabastecimento a aeronave.
– Acho que pode não ter sido uma boa ideia do piloto ou da pessoa responsável por isso na LaMia. Eu fiz o relatório de que iríamos para Cobija. Mas no momento da decolagem perguntei: “Vamos até Cobija, não é?” “Não, vamos direto a Medellin”.
Ele também desabafou que as decisões a respeito de um voo são tomadas de forma personalista pelos comandantes de aeronaves, e que a tripulação raramente é informada a respeito. Tumiri, que pretende continuar como comissário e estuda para se formar piloto, finalizou a entrevista ao Fantástico declarando a vontade de conhecer a cidade da maioria das vítimas:
– Quero ir para Chapecó e conhecer a cidade um dia desses. Porque às vezes eu sinto como se eu tivesse sido salvo por eles. Como se eles tivessem dado sua vida pela minha.

Fonte: Zero Hora

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