Anvisa decide simplificar acesso a medicamentos de canabidiol

Remédios a base de canabidiol – Divulgação/Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) simplificou a importação de medicamentos à base canabidiol. Em decisão tomada ontem (22) por sua diretoria, a agência reguladora reduziu a documentação necessária para requerer a importação do medicamento. Agora, basta a apresentação da prescrição médica do produto.

A reunião desta quarta-feira fez a revisão de uma norma de 2015, que define os critérios e procedimentos para a importação, em caráter excepcional, de produto à base de canabidiol. A norma define critérios de importação desse tipo de medicamento apenas para pessoa física. Os pedidos continuarão sendo feitos pelo portal de serviços do governo federal.

Outra mudança é a validade da prescrição junto com o cadastro, que passará a ser de dois anos. Com isso, a Anvisa espera uma redução no tempo de análise e liberação dos pedidos. A revisão definiu que a importação pode ser feita pelo responsável legal do paciente ou por seu procurador legalmente constituído.

O prazo que a Anvisa leva para analisar os pedidos é de 75 dias. A agência, no entanto, pretende reduzir esse prazo, mas não especifica de quanto seria essa redução. A Anvisa reconhece que 75 dias de espera por uma análise é prejudicial ao paciente, dificulta o acesso a terapias prescritas e pode gerar danos irreparáveis à saúde.

Desde a Resolução de 2015, a Anvisa registrou aumento de 700% no número de pedidos para importação desses medicamentos. A média mensal saltou de 328 pedidos por mês em 2018 para mais de 900 em 2019. Medicamentos com base em canabidiol são usados para tratamento de doenças raras, graves ou que podem levar à morte.

*Agencia Brasil

Crissiumal: Secretaria Municipal de Saúde fala sobre o desafio 21 dias

A nutricionista Cristiane R. Staffen explica um pouco sobre o projeto piloto realizado pela da Secretaria Municipal de Saúde de Crissiumal em 2019 e as propostas para 2020.

“Este Desafio aposta nos alimentos “limpos” para livrar o organismo das toxinas e acelerar o metabolismo. Você perde peso, ganha pique e a sua saúde agradece!

Poluição, alimentos super industrializados (carregados de corantes e conservantes), agrotóxicos e até maquiagem, contribuem para o acúmulo de toxinas no nosso organismo. Em excesso, essas substâncias nocivas deixam o metabolismo lento, o que resulta em ganho de peso, inflamações, agravos de doenças já existentes e também facilita o aparecimento de doenças autoimunes (doença celíaca, diabetes mellitus tipo 1, doença inflamatória intestinal, esclerose múltipla…).

Com isso, emagrecer fica mais difícil e, é por isso, que as mulheres se interessam tanto pelo Desafio, mas a proposta vai além da perda de peso, a dieta é anti-inflamatória e sugere uma faxina geral para que você elimine as toxinas e reestabeleça o ritmo do metabolismo em três semanas.

Fizemos um projeto piloto em outubro deste ano, primeiro com profissionais da área de saúde. Antes de começar são feitas todas as medidas e ao final dos 21 dias também. O grupo funciona pelo whats app (sim, porque como saúde pública, temos que evoluir e usar as ferramentas que temos a nossa disposição), onde são dadas orientações iniciais e, após uma troca muito grande, onde são partilhadas receitas, fotos de pratos coloridos, pessoas praticando atividade física, tomando mais água e  se desafiando os 21 dias a comer comida de verdade. Já no projeto piloto eliminamos juntas 33 kg e no grupo que abrimos para outras pessoas participarem, foram 46,2 kg. Não foi mágica, foi mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida, exige esforço, disciplina e, juro, não é dieta maluca. Durante esse período foram realizadas caminhadas, trilhas e atividades físicas grupais para estimular ao exercício físico.”

No ano de 2020, mais grupos serão formados para realizar o Desafio 21 dias e, com o mesmo intuito, no mês de março será realizada a 1ª Maratona de Saúde, com sede no município de Crissiumal.

Fonte: SMS Crissiumal

Laboratórios recolhem medicamentos para úlcera no estômago

Lotes de remédios podem estar contaminados com produto cancerígeno

Os laboratórios Medley e Aché decidiram recolher lotes de medicamentos com cloridrato de renitidina por suspeita de uma possível contaminação de uma substância de efeito cancerígeno nos pacientes que consomem os produtos. Os medicamentos são utilizados para o tratamento de úlcera estomacal, refluxo, dentre outras enfermidades.

A Medley retirou do mercado 50 lotes do medicamento Ranitidina de 150mg e 300mg, com fabricação entre outubro de 2018 e setembro de 2019. O receio da companhia envolvia a possível presença de uma impureza da nitrosamina chamada N-nitrosodimetilamina, que teria potencial de causar câncer em seres humanos.

Já o laboratório Aché realizou também preventivamente a coleta dos medicamentos Label comprimidos e Label xarope e genéricos de cloridrato de raniditina. Em nota à Agência Brasil, alegou que “segue rigorosamente todas as solicitações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive a recomendação sobre o controle das nitrosaminas”.

Segundo a Medley, as pessoas que tiverem de se desfazer do medicamento não terão prejuízos. A empresa orienta quem estiver nesta situação a entrar em contato com o SAC da Medley pelo telefone 0800 7298 000, de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 17h.

Também no caso da Aché, dúvidas de pacientes ou lojistas vendedores dos produtos devem ser encaminhadas por meio da Central de Atendimento a Clientes pelo telefone 0800-701-6900 ou pelo e-mail:[email protected]

 

Fonte: Agência Brasil

Estado distribui novo lote da vacina pentavalente a municípios

Vacina pentavalente é recomendada aos 2, 4 e 6 meses

Foto: Divulgação/SES

A Secretaria da Saúde (SES) iniciou a distribuição de um novo lote de 42 mil doses da vacina pentavalente para a Capital e Região Metropolitana. As vacinas devem chegar a todas as regiões do Estado até o final da semana, conforme cronograma de retirada pelas Coordenadorias Regionais de Saúde. Todas as cidades do RS serão atendidas, em número proporcional à população. A vacina é recomendada para crianças em três doses, aos 2, 4 e 6 meses. A pentavalente protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite por Haemophilus influenzae B.

Esse é o segundo envio do Ministério da Saúde em caráter emergencial. Na primeira quinzena de janeiro, já haviam sido repassadas aos municípios 41 mil doses. O imunobiológico passou por um período de indisponibilidade devido a um desvio de qualidade identificado na sua produção. O atual lote, que é importado, foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após aprovação em testes de qualidade pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

A quantidade já recebida nestas primeiras semanas do ano corresponde a aproximadamente duas vezes a média mensal utilizada no Estado. A criança – independentemente da idade – que não tomou uma ou mais doses previstas no calendário deve ser levada à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para colocar em dia sua carteira de vacinação.

A primeira dose é prevista aos 2 meses de idade e, a partir dela, as demais com intervalo mínimo de 30 dias, sendo que recomenda-se 60 dias entre as doses. Quem deixou de tomar alguma dose na idade recomendada pode ser vacinado a qualquer momento, respeitando o intervalo de tempo previsto.

*SECOM/SES

Oito das 15 mortes por sarampo registradas no país foram entre crianças menores de cinco anos

Para se proteger da doença, especialista da Sociedade Cearense de Pediatria reforça que a única forma é tomar a vacina

Responsável por 15 mortes no Brasil em 2019, o sarampo é uma doença causada por um vírus. A transmissão pode ocorrer quando uma pessoa infectada tosse, fala ou espirra próxima de outras.

Os principais sinais e sintomas do sarampo são febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. Além disso, outros sinais podem aparecer em um intervalo de três a cinco dias, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que podem se espalhar pelo corpo.

Crianças menores de 5 anos de idade são mais vulneráveis à doença. Neste ano, mais da metade das mortes registradas ocorreram nessa faixa etária.

Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Cearense de Pediatria, Robério Leite afirma que o surto de sarampo que o país enfrentou no ano passado está associado à queda do número de pessoas vacinadas. A recomendação do Ministério da Saúde é que ao menos 95% da população esteja imunizada.

Para se proteger da doença, Robério reforça que o único método é tomar a vacina, distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“É um vírus extremamente contagioso. A única maneira segura de se evitar a transmissão do sarampo é que os indivíduos estejam adequadamente vacinados, para que tenham uma quantidade suficiente de anticorpos de proteção. Assim, em contato com o vírus, estão protegidos e não desenvolvem a doença.”

Para que a população entenda que a vacinação é a única forma de se proteger do sarampo e de outras doenças infectocontagiosas, o UNICEF divulga nas redes sociais a campanha global #VacinasFuncionam. No Brasil, um dos principais objetivos da campanha, realizada em conjunto com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunizações, é combater as notícias falsas com informação verdadeira.

Estimativa do UNICEF aponta que as vacinas salvam até três milhões de vidas por ano, protegendo as crianças de doenças altamente infecciosas e contagiosas e que podem levar à incapacidade ou à morte, como sarampo, pneumonia, rotavírus e difteria. Vacinas são seguras, eficazes e salvam vidas. Saiba mais em família.sbim.org.br.

* Raphael Costa/ Agência do Rádio

Rio Grande do Sul registra 76 casos de sarampo em 2019

Número supera 2018. No último ano, 70% das ocorrências aconteceram em pessoas que não eram vacinados ou que não tinham tomado a segunda dose da vacina

O Centro Estadual de Vigilância Sanitária (Cevs) confirmou 76 casos de sarampo no Rio Grande do Sul em 2019. O último boletim, divulgado na quinta-feira (16), indicou 12 novas confirmações da doença fem Porto Alegre, Trindade do Sul, Gravataí, Cachoeirinha e Canoas.

Entre os novos casos, dois bebês contraíram a doença, um deles tem um mês, e o outro seis meses. Os demais foram em jovens entre 17 e 24 anos, e em uma mulher com mais de 50.

Em 2020, até o dia 11 de janeiro, foram identificados 10 casos suspeitos (oito de sarampo e dois de rubéola), seis foram eliminados e quatro estão pendentes.

Os 76 casos confirmados em 2019 superaram o ano anterior. Em 2018, houve 47 casos.

Em 2019, 70% das ocorrências aconteceram em pessoas que não eram vacinados ou que não tinham tomado a segunda dose da vacina.

Durante o ano passado, os casos contraídos foram registrados em 11 cidades: Cachoeirinha (20), Gravataí (20), Porto Alegre (19), Canoas (4), Alvorada (3), Tramandaí (3), Ijuí (2), Trindade do Sul (2), Dois Irmãos (1), Santo Antônio da Patrulha (1) e Carlos Gomes (1).

Histórico do sarampo no RS

  • 2019: 76 casos
  • 2018: 47 casos
  • 2012-2017: sem casos registrados
  • 2011: 8 casos
  • 2010: 7 casos
  • 1999: último caso autóctone (contraído dentro do estado)

 

*G1 RS

Ministério da Saúde alerta Sul e Sudeste sobre febre amarela

As regiões Sul e Sudeste do país sinalizam circulação do vírus da febre amarela em macacos, o que aumenta o risco de transmissão em humanos. População deve se vacinar neste verão

Foto: Erasmo Salomão / ASCOM MS

Com a chegada do verão, período de maior ocorrência de doenças transmitidas por mosquitos, como a febre amarela, o Ministério da Saúde alerta a população para tomar a vacina contra a doença. O recado é focado principalmente para a população que mora nas regiões Sul e Sudeste do país devido à confirmação de 38 mortes de macacos (epizootia) nos estados do Paraná (34), São Paulo (3) e Santa Catarina (1). No total, 1.087 notificações de mortes suspeitas de macacos foram registradas no país. Os dados são do último boletim epidemiológico publicado nesta quarta-feira (15) pelo Ministério da Saúde, que apresenta o monitoramento da doença de julho de 2019 a 8 de janeiro deste ano. O alerta se dá porque as regiões possuem grande contingente populacional e baixo número de pessoas vacinadas, o que contribui diretamente para os casos da doença.

O público-alvo para vacinação são pessoas a partir de nove meses de vida e 59 anos de idade que não tenham comprovação de vacinação. Em 2020, as crianças passaram a ter um reforço aos quatro anos de idade. O secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Julio Croda, destaca que todas as pessoas da faixa etária devem buscar os serviços de saúde para se vacinarem. “Não adianta vacinar um grupo e outro não, já que a febre amarela é uma doença transmitida por um mosquito infectado e ele pode picar qualquer pessoa”, afirmou.

Em relação aos casos em humanos, no mesmo período, 327 casos suspeitos de febre amarela foram notificados, destes, 50 permanecem em investigação e um foi confirmado. A vítima, residente do estado do Pará, veio à óbito. Atualmente, o Brasil tem registros apenas de febre amarela silvestre, ou seja, transmitida por mosquitos que vivem no campo e florestas. Os últimos casos de febre amarela urbana (transmitida pelo Aedes aegypti) foram registrados em 1942, no Acre.

O vírus da febre amarela se mantém naturalmente em um ciclo silvestre de transmissão, que envolve macacos e mosquitos silvestres. O Ministério da Saúde realiza a vigilância de epizootias desde 1999 com objetivo de verificar e antecipar a ocorrência da doença. Assim é possível fazer a intervenção oportuna para evitar casos humanos, por meio da vacinação das pessoas e também evitar a urbanização da doença, ou seja, a transmissão por mosquitos urbanos, por meio do controle de vetores nas cidades. O macaco, principal hospedeiro e vítima da febre amarela, funciona como sentinela, indicando se o vírus está presente em determinada região.

Mudança no Calendário de Vacinação 2020

A vacina contra febre amarela é ofertada no Calendário Nacional de Vacinação e distribuída mensalmente aos estados. Em 2019, mais de 16 milhões de doses da vacina contra a febre amarela foram distribuídas para todo o país. Apesar dessa disponibilidade, há uma baixa procura da população pela vacinação. Para 2020, a pasta adquiriu 71 milhões de doses da vacina, suficiente para atender o país por mais de três anos.

Em 2020, o Ministério da Saúde vai ampliar, gradativamente, a vacinação contra febre amarela para 1.101 municípios dos estados do Nordeste que ainda não faziam parte da área de recomendação de vacinação. Dessa forma, todo o país passa a contar com a vacina contra a febre amarela na rotina dos serviços.

Outra mudança no calendário foi que as crianças passaram a ter um reforço da vacina aos quatro anos de idade. A decisão ocorreu porque estudos científicos recentes demonstraram uma diminuição na resposta imunológica da criança que é vacinada muito cedo, aos 9 meses, como previa o Calendário Nacional de Vacinação da criança. Desde 2017, o Ministério da Saúde seguia as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de ofertar apenas uma dose da vacina de febre amarela durante toda a vida.

 

Fonte: Agência Saúde

SUS recebe 1.424 novos leitos de UTI em todo o Brasil

Com medida, número de vagas aumenta em 39% em relação a 2018

O Ministério da Saúde ampliou em 39% o número de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), em relação a 2018, nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida acrescentou 1.424 leitos para viabilizar o atendimento de casos mais graves de crianças e adultos em todo país.

Segundo a pasta, a ação foi responsável por zerar todos os pedidos de habilitação de leitos solicitados pelos estados em 2019, com investimentos de R$ 185,6 milhões. Atualmente, o SUS conta com 23 mil leitos de UTI Adulto e Pediátrico em todas as regiões do país.

Dos 1.424 novos leitos, 729 são destinados a pacientes adultos, sendo 687 leitos de UTI e 42 em unidades coronarianas; e 695 voltados para o atendimento de crianças. Esse total está dividido em 142 novos leitos pediátricos, 159 neonatal, 287 em Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais (UCINCo) e 107 em Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa).

No Centro-Oeste, foram habilitados 99 leitos, sendo 56 do tipo adulto, 30 pediátrico, sete neonatal e seis unidades coronarianas. No Nordeste foram 297 leitos, das quais 221 adulto, 34 do tipo pediátrico, 20 neonatal, 10 unidades coronarianas, 47 em UCINCo e 32 em UCINCa. Já para o Norte, a pasta habilitou 190 leitos, sendo 105 do tipo adulto, 35 pediátrico, 24 neonatal, um em unidade coronariana e 20 UCINCo.

Na Região Sudeste foram 300 leitos de UTI, dos quais 184 são leitos adultos, 13 pediátricos, 78 neonatal, 25 coronarianos, 203 UCINCo e 67 UCINCa. Na região Sul foram habilitados 144 UTIs, sendo 121 do tipo adulto, 10 do tipo pediátrico, 13 neonatal, 17 UCINCo e oito UCINCa.

 

*Agência Brasil

RS tem 99 municípios em alerta ou alto risco de transmissão da dengue

Bom Progresso apresenta o maior índice de infestação de larvas do mosquito no Estado

Foto: Divulgação / SES

O Rio Grande do Sul tem 99 cidades em situação de alerta ou de alto risco de transmissão da dengue, chikungunya e zika. O número representa os municípios onde mais de 1% dos imóveis vistoriados por agentes de endemias apresentaram larvas do mosquito Aedes aegypti. No ano passado, mais de 1,3 mil casos dessas três doenças transmitidas pelo inseto foram confirmados no Estado.

O fato reforça as ações preconizadas pela Secretaria da Saúde (SES), principalmente no verão, quando a proliferação do mosquito aumenta em função das altas temperaturas. O principal cuidado deve ser em relação a locais com água parada, onde o Aedes deposita seus ovos.

Entre essas 99 cidades, a situação é de maior atenção em 10 delas. Nesses locais, o último Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre outubro e dezembro de 2019, o Índice de Infestação Predial (IIP) foi superior a 4%. Esses municípios estão localizados majoritariamente nas regiões norte e missões do Estado. Abaixo, em ordem, a lista das localidades com maiores indicadores:

Posição – cidade (região) / índice

1 – Bom Progresso (Noroeste) / 8,2
2 – Jaboticaba (Norte) / 7,4
3 – São José das Missões (Norte) / 5,5
4 – Quinze de Novembro (Missões) / 4,8
5 – Alecrim (Missões) / 4,7
6 – Alegria (Missões) / 4,7
7 – Salto do Jacuí (Missões) / 4,5
8 – São Leopoldo (Metropolitana) / 4,5
9 – São Nicolau (Missões) / 4,2
10 – Tuparendi (Missões) / 4,1

Ao todo, 358 cidades realizaram o levantamento no último trimestre. Enquanto 3% e 25% delas apresentaram, respectivamente, índices de alerta e risco, os demais 72% (ou 259 municípios) tiveram a infestação considerada de baixo risco (quando em menos de 1% dos imóveis houve a presença do Aedes). Outras 16 cidades classificadas como infestadas (quando houve a identificação de larvas do inseto nos últimos 12 meses) não realizaram o detalhamento da infestação. Somados, são 374 municípios considerados infestados no RS.

Em relação à população, 92% dos gaúchos (ou 10,5 milhões de pessoas) residem nessas 374 cidades onde há presença do mosquito. Os 10 municípios com alto risco somam 281 mil habitantes (ou 2,5% da população do RS). A lista segue com outras 2,4 milhões de pessoas que vivem nas 89 cidades com situação de alerta, representando 22% dos gaúchos. Por sua vez, 49% (5,5 milhões) da população mora em cidades de risco considerado baixo e 7% (803 mil) em cidades não infestadas.

Prevenção contra o mosquito

A transmissão da dengue, zika e chikungunya ocorre pela picada do Aedes aegypti. O mosquito tem em média menos de 1 centímetro, é escuro e com riscos brancos nas patas, na cabeça e no corpo. Para se reproduzir, ele precisa de locais com água parada, não necessariamente suja. Muitos desses locais ficam em pátios e residências. Por isso, o cuidado para evitar a sua proliferação busca eliminar os possíveis criadouros, impedindo o nascimento do inseto.

Entre as medidas, recomenda-se:

– Tampar caixas d’água, tonéis e latões;
– Guardar garrafas vazias viradas para baixo;
– Guardar pneus sob abrigos;
– Não acumular água nos pratos de vasos de plantas e enchê-los com areia;
– Manter desentupidos ralos, canos, calhas, toldos e marquises;
– Manter lixeiras fechadas e piscinas tratadas o ano inteiro.

 

Fonte: Secom / Governo RS

Pesquisa mostra correlação entre desnutrição materna e microcefalia

Grupo de 27 pesquisadores do Brasil, Reino Unido, Argentina e Estados Unidos descobriu correlação entre a desnutrição das mães e a síndrome congênita do vírus Zika nos bebês, que tem na microcefalia uma de suas manifestações. A conclusão do trabalho foi publicada nesta sexta (10) no periódico norte-americano Science Advances.

O trabalho foi dividido em duas partes disse a professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Patrícia Garcez, integrante do grupo de estudo. O trabalho foi iniciado em 2016 e envolveu, na primeira fase, estudos em laboratório com animais de experimentação. Foi usado um grupo que não era suscetível ao vírus Zika, “que não causava microcefalia”, e um grupo dos mesmos animais que eram submetidos a uma dieta com restrição de proteína durante a gravidez.

“Na verdade, o que a gente mudou foi só a dieta de um grupo para outro. E quando a gente mudou a dieta, isso foi suficiente para fazer com que esse animal fosse mais suscetível a transmitir o vírus que tinha no ambiente materno para o feto”, disse Patricia. Os pesquisadores procuraram então entender se isso acontecia também com mães que tiveram filhos com a síndrome congênita. Ou seja, se as mães estavam com alimentação com restrição de proteína .

Confirmação

Foram entrevistadas 83 mães no Nordeste. “A gente descobriu que 40% dessas mães apresentavam desnutrição proteica”. Isso pode ter favorecido que os filhos dessas mães nascessem com microcefalia, por exemplo. Patricia explicou que a prevalência de mulheres que, quando infectadas no primeiro trimestre são capazes de transmitir o vírus para os fetos, varia muito, dependendo da região. Essa variação da transmissão vertical pode ser de 1% em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, chegando a 43% no Brasil.

Os pesquisadores decidiram investigar por que havia mais prevalência da síndrome congênita do Zika em algumas regiões e por que algumas mães eram mais suscetíveis do que outras. “É uma série de cofatores que pode estar facilitando essa diferença de prevalência na população e a gente mostrou, graças a esse estudo, que a dieta, certamente, é um desses cofatores”. A Região Nordeste foi escolhida para a pesquisa porque concentra 75% dos casos associados ao vírus Zika.

Os pesquisadores querem entender melhor, a partir de agora, como a dieta influi no sistema imune e como ela atua para facilitar o aumento da suscetibilidade ao vírus Zika. Outra meta é testar se algum tipo de dieta é capaz de reverter essa situação. “[Vamos verificar] se a gente consegue proteger os animais da infecção do vírus, sem transmitir aos bebês, por meio de uma dieta rica em proteína”. Outra diretriz é estender o estudo para outras regiões para ver se essa porcentagem de desnutrição proteica tem uma correlação positiva nas mães que tiveram filhos com microcefalia. “Essa pesquisa abre muitas avenidas”, disse Patricia Garcez.

Ministério da Saúde

A pesquisa é focada em 24 dos 27 estados brasileiros porque, segundo a pesquisadora da UFRJ, nos estados da Região Sul quase não houve síndrome congênita. O foco é a área tropical, que mostra presença acentuada do vetor, que é o mosquito Aedes aegypti.

Os pesquisadores haviam explorado, anteriormente, a relação potencial entre desnutrição e malformações associada ao vírus Zika por meio da análise do banco de dados integrado do Ministério da Saúde. Para isso, consideraram o número de casos de microcefalia confirmados e aqueles ainda sob investigação nos estados selecionados, entre 2015 e 2018, quantificando o número de pacientes desnutridos admitidos em hospitais nos mesmos estados e no mesmo período.

Eles apuraram, então, a existência de uma correlação significativa entre casos de microcefalia e desnutrição, o que aponta que estados onde se identificou um número maior de casos com desnutrição, na última década, também contavam com mais crianças com malformações desde o surgimento da síndrome do vírus Zika no Brasil.

Assimetria

Segundo a professora Patricia Garcez, a parceria com o Ministério da Saúde está sendo essencial para entender melhor a microcefalia e a distribuição no Brasil, que é assimétrica, e os cofatores que atuam. “A dieta é um cofator relevante, como estamos mostrando, mas, certamente, há outros fatores”, disse. Patricia acredita que a publicação do artigo científico na revista Science Advances será importante para a obtenção de novos financiamentos que garantam a continuidade dos estudos.

A pesquisa foi financiada pelo Zika Rapid Response do Medical Research Council do Reino Unido; pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj); pelo Ministério da Saúde do Brasil e pela American Association of Physical Anthropologists (AAPA). A segunda etapa do projeto, para testar se uma dieta rica produz o mesmo efeito nos embriões, deverá ser iniciada ainda este ano.

 

*Agência Brasil