Vacina de Oxford pode ser distribuída este ano, diz Astrazeneca

A vacina está sendo testada no Brasil

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A vacina contra o covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, com testes no Brasil, poderá ficar disponível à população ainda este ano. A afirmação foi feita por Maria Augusta Bernardini, diretora-médica do grupo farmacêutico Astrazeneca. O grupo anglo-sueco participa das pesquisas da universidade inglesa em parceria com Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Esperamos ter dados preliminares quanto a eficácia real já disponíveis em torno de outubro, novembro”, disse Bernardini. Segundo ela, apesar de os voluntários serem acompanhados por um ano, existe a possibilidade de distribuir a vacina à população antes desse período.

“Vamos sim analisar, em conjunto com as entidades regulatórias mundiais, se podemos ter uma autorização de registro em caráter de exceção, um registro condicionado, para que a gente possa disponibilizar à população antes de ter uma finalização completa dos estudos”, acrescentou, destacando que os prazos podem mudar de acordo com a evolução dos estudos.

Segundo ela, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem se mostrado disposta a colaborar. A vacina está atualmente na fase três de testes. Isso significa, de acordo a Unifesp, que a vacina se encontra entre os estágios mais avançados de desenvolvimento. O Brasil é o primeiro país fora do Reino Unido a iniciar testes com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e um dos motivos que levaram à escolha foi o fato de a pandemia estar em ascensão no país.

“O Brasil é um grande foco de crescimento, de mortalidade, o que nos coloca como ambiente propício para demonstrar o potencial efeito de uma vacina. Para isso precisamos ter o vírus circulante na população e esse é o cenário que estamos vivendo”, disse Bernardini. Ela participou  de uma conversa, transmitida ao vivo pela internet, com o embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan.

A diretora-médica da Astrazeneca também destacou que a atuação de pesquisadores brasileiros em Oxford e sua reputação foi outro fator influenciador para trazer a pesquisa para o Brasil. “Isso fortaleceu a imagem a reputação científica do Brasil, além de facilitar, trazer com agilidade o estudo em termos de execução”.

Vantagens da vacina de Oxford

Segundo ela, a vacina de Oxford tem vantagem sobre outras em desenvolvimento no mundo pois, além de usar uma plataforma já conhecida e testada em vírus como Mers e Ebola, funcionaria com uma dose única. “Estamos desenvolvendo uma vacina em dose única. É um diferencial. […] Outro diferencial que temos é que sabemos que potencial da geração de anticorpos é muito forte, muito positivo”.

Fonte: Agência Brasil

Casos globais de covid-19 superam 10 milhões

Doença já matou mais de meio milhão de pessoas em sete meses

Pixabay

Os casos globais de coronavírus ultrapassaram 10 milhões nesse domingo (28), uma importante marca na disseminação da doença respiratória que já matou mais de meio milhão de pessoas em sete meses. A contagem é da Reuters.

O número representa cerca do dobro de casos de doenças por influenza severa registrados anualmente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

A marca é atingida no momento em que muitos países duramente afetados estão afrouxando as restrições, ao mesmo tempo em que fazem fortes alterações em relação a trabalho e à vida social, que podem durar ao menos um ano até que uma vacina esteja disponível.

A América do Norte, América Latina e Europa respondem, cada uma, por cerca de 25% dos casos, enquanto a Ásia e o Oriente Médio têm cerca de 11% e 9% respectivamente, de acordo com a contagem da Reuters, que usa relatórios governamentais.

Há mais 497 mil mortes ligadas à doença até agora, o mesmo que o número de mortes por influenza relatado anualmente.

Fonte: Agência Brasil

Lei de fake news será ‘tornozeleira eletrônica’ para milhões de pessoas, diz diretor do WhatsApp

Segundo os números mais recentes, de 2017, há mais de 120 milhões de usuários de WhatsApp no país

É como se mais de 100 milhões de brasileiros passassem a ser monitorados por tornozeleira eletrônica. É assim que Pablo Bello, diretor de Políticas Públicas do WhatsApp para a América Latina, descreve os possíveis efeitos do projeto de lei sobre fake news que está em discussão no Senado.

O ponto do projeto que mais incomoda a plataforma é a rastreabilidade das mensagens, que obriga aplicativos a guardar as informações sobre todos os reencaminhamentos de cada mensagem, para que se possa identificar a origem de conteúdos potencialmente ilegais.

Há mais de cem emendas ao projeto de lei apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e relatado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA).

Ainda não se sabe qual será o texto final do relatório de Coronel, que será apresentado nesta quarta-feira (24), para ser votado na quinta (25). Mas, segundo apurou a reportagem, o texto deve manter a rastreabilidade, ponto que mais incomoda o WhatsApp.

Segundo os números mais recentes, de 2017, há mais de 120 milhões de usuários de WhatsApp no país. A legislação em discussão determina que o WhatsApp deve guardar os registros da cadeia de reencaminhamentos de mensagens até sua origem, e fornecer essas informações mediante pedido judicial.

“Tudo isso, essa coleta maciça de dados para que, no caso eventual de alguém cometer um crime, poderem obter essas informações…isso transformará todos em suspeitos, subverte a presunção de inocência.”

Segundo Bello, embora a medida não implique quebrar a criptografia, porque não revela o conteúdo das mensagens, ela representa violação de privacidade ao mostrar com quem todo mundo fala.

Bello afirma que o WhatsApp de hoje é muito diferente do aplicativo em 2018, quando foi usado para disseminação de notícias falsas durante as eleições. Na ocasião, a plataforma teve de suspender 400 mil contas. Introduzimos várias modificações para reduzir a viralização de algumas mensagens.”

O número de vezes que uma mensagem pode ser reencaminhada foi reduzido de 20 para 5, o que, segundo Bello, já diminuiu em 30% o número de reencaminhamentos.

Em abril deste ano, o WhatsApp passou a permitir que as mensagens que estejam viralizando sejam reencaminhadas apenas uma vez. Bello voltou a enfatizar que apenas 5% de todas as mensagens trocadas pelo aplicativo são reencaminhadas.

A plataforma defendeu a proibição de envio em massa de mensagens de WhatsApp durante as eleições, o que foi incorporado na regulamentação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) adotada em novembro do ano passado.

A empresa também está acionando judicialmente agências que fazem disparos em massa, como a Yacows. E está cooperando com agências de checagem de fatos para criar chatbots no WhatsApp, como o da International FactChecking Alliance, para combater fake news sobre a pandemia de Covid-19, e canais de informação reunindo ministérios da Saúde de vários países, entre eles o Brasil.

Essa é nossa visão de como combater desinformação, diz Bello.

Segundo ele, a coleta e o armazenamento maciço de dados exigidos pela lei vão contra o modelo de negócios do WhatsApp. “É muito arriscado guardar todas essas informações. Imagine um hacker?”, questiona.

Ele lembra que o WhatsApp é uma plataforma global e, eventualmente, essas mudanças poderiam passar a valer em países não democráticos. “Rastreabilidade de mensagens é um presente para governos autoritários; é um problema não apenas de privacidade, mas também de direitos humanos.

Bello afirma que o WhatsApp colabora com a Justiça ao fornecer os dados já previstos pelo Marco Civil da Internet os logs de acesso, detalhes sobre quando uma determinada pessoa entrou e saiu do aplicativo, e o IP usado. E que está disposto a aperfeiçoar isso, fornecedndo essas informações de maneira mais eficaz e rápida, sempre a partir de pedido judicial.

Fonte: ZH/ FolhaPress

Dólar tem avanço de 32,5% em 2020 e pressiona preços

Alta da moeda americana é influenciada por incertezas na economia, tensão política e juro básico na mínima histórica

O dólar acima da marca de R$ 5 virou realidade em meio à pandemia de coronavírus no país. Com incertezas na economia, tensão política e juro básico na mínima histórica, a cotação da moeda americana acumula alta de 32,5% no ano. Assim, pressiona preços de itens que dependem de insumos importados para produção, como combustíveis, alimentos e eletroeletrônicos.

Isso, contudo, não quer dizer que os valores terão disparada de um dia para outro. Em razão da crise provocada pela covid-19, a demanda por produtos diversos demonstra fraqueza. Ou seja, o mercado em dificuldades tende a diminuir a velocidade dos repasses para preços de itens como gasolina e pães. Ambos são fabricados a partir de commodities (petróleo e trigo) que acompanham a variação do dólar.

Na sexta-feira, após sete altas seguidas, a cotação da moeda americana recuou para R$ 5,3182. Em 13 de maio, chegou a alcançar R$ 5,9012, recorde nominal no fechamento de uma sessão. No fim de 2019, estava em R$ 4,0129.

— O dólar alto resulta em aumento de custos para quem importa mercadorias. Em algum momento, deve gerar impacto para o consumidor, mas, agora, a economia segue fraca. Então, muitas empresas seguram parte dos repasses, com margem de lucro menor neste período — explica o economista-chefe da gestora de recursos Geral Asset, Denilson Alencastro.

Para segmentos exportadores, a moeda americana em elevação tende a trazer benefícios. Mas o coronavírus chacoalhou o comércio internacional, restringindo a circulação de parte das mercadorias. Em maio, as exportações da indústria gaúcha caíram 26,7%, para US$ 775,7 milhões. Foi o pior resultado para o mês em 15 anos, aponta a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).

— Estamos vivendo momento de contração no mercado. Quase todos os setores apresentam queda nas exportações. A ociosidade não é só aqui. O mundo inteiro está passando por recuo na demanda — pontua o economista-chefe da Fiergs, André Nunes de Nunes.

No agronegócio gaúcho, ainda não há dados atualizados sobre as exportações até o último mês. Com grande inserção no mercado internacional, o setor é impactado por forte estiagem.

— Agora, o dólar em alta é positivo, porque estamos vendendo mais do que comprando do Exterior. Daqui a uns meses, será ruim. A importação de mercadorias ganha intensidade em agosto e setembro para preparar a safra de verão — diz Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Ao longo do primeiro semestre, a disparada do dólar ganhou fôlego com novos cortes na taxa básica de juro. Na última quarta-feira (17), o Banco Central reduziu a Selic de 3% ao ano para 2,25%, renovando a mínima histórica. Isso tende a estimular a saída de capital estrangeiro, já que a taxa serve como referência para aplicações de renda fixa no país.

Ou seja, quanto menor o juro, mais baixo é o ganho com esses investimentos. Assim, o Brasil fica menos atrativo aos olhos de quem deseja grande retorno sobre o dinheiro aplicado. Ao ir embora, o investidor estrangeiro reduz a quantidade de dólares no país. Com menos moeda disponível, a cotação passa a subir.

Em meio ao período de queda no juro, a crise do coronavírus aumentou incertezas na economia. A situação leva investidores a depositar recursos em mercados com menos riscos do que o brasileiro. Por fim, a tensão política envolvendo o governo Jair Bolsonaro representou ingrediente adicional na receita de disparada do dólar.

Na quinta-feira (18), a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), elevou a temperatura.

— Além do corte no juro e da aversão ao risco com o coronavírus, temos a questão política. Vimos, por exemplo, ministros saírem do governo recentemente — frisa o economista Gustavo Bertotti, da Messem Investimentos.

Repasses devem ser diluídos durante o ano

A disparada do dólar tende a provocar reflexos nos preços de produtos fabricados a partir de insumos importados. A elevação para o consumidor, porém, não deve ser tão robusta em uma única vez, ponderam analistas. Com a crise provocada pelo coronavírus, parte das empresas é forçada a diminuir a margem de lucro para conseguir vender. Ou seja, a tendência é de que os repasses sejam diluídos ao longo do tempo.

Um dos itens mais sensíveis à variação cambial, a gasolina ensaia retomada gradual no preço desde o final de maio no Estado — passou a subir com o processo de reabertura da economia mundial. Na pandemia, o valor do litro, em média, chegou a ficar abaixo de R$ 3,80, menor patamar desde 2017, conforme a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na semana passada, subiu para R$ 3,957, na quarta alta seguida. Mesmo assim, acumula baixa de 16,9%, em 2020.

— Com a subida do petróleo, deve haver ajuste nos preços dos combustíveis, mas sem grandes solavancos neste momento — frisa o sócio-fundador da consultoria MaxiQuim, João Luiz Zuñeda.

No setor de panificação, a alta do dólar desperta preocupação entre empresários. Além da produção própria, o Rio Grande do Sul tem de importar parte do trigo para atender a demanda por pães, massas e biscoitos. Durante a pandemia, fabricantes estão buscando “segurar repasses” do aumento no preço do cereal, afirma Carla Carnevali Gomes, presidente do Sindipan-RS, que representa indústrias do ramo. Mas, diante da situação, reajustes ao consumidor são inevitáveis, aponta Carla.

No Estado, o preço do trigo acumula alta de 44,5% no ano, até o último dia 19. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor do pão francês na Grande Porto Alegre subiu em janeiro e fevereiro e recuou em março e abril. Em maio, a variação foi nula. No acumulado do ano, a alta é de 0,71%.

Enquanto isso, a farinha de trigo teve elevação mais robusta. De janeiro a maio, a inflação do produto chegou a 15,96%, conforme o IBGE. A alta, em parte, está ligada ao aumento da procura. Com mais pessoas em casa, as vendas de farinha chegaram a duplicar no Estado no período de isolamento social, diz a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas).

Fonte: Gaúcha ZH

Tipo sanguíneo e genes estão ligados à covid-19 grave, mostra estudo

Pesquisadores europeus buscam mais pistas sobre infecção 

O tipo sanguíneo de uma pessoa e outros fatores genéticos podem ter ligação com a gravidade de uma infecção pelo novo coronavírus, de acordo com pesquisadores europeus que buscam mais pistas para explicar por que a covid-19 atinge algumas pessoas tão mais duramente que outras.

As descobertas, publicadas no periódico científico The New England Journal of Medicine na quarta-feira (17), levam a crer que pessoas com sangue tipo A correm risco maior de desenvolver sintomas mais intensos quando infectadas pelo novo coronavírus.

No auge da epidemia na Europa, pesquisadores analisaram os genes de mais de 4 mil pessoas em busca de variações que são comuns naqueles que foram infectados pelo vírus e desenvolveram casos graves de covid-19.

Uma série de variantes em genes que estão envolvidos nas reações imunológicas são mais comuns em pessoas com casos graves de covid-19, descobriram os cientistas. Estes genes também estão envolvidos com uma proteína de superfície celular chamada ACE2, que o coronavírus usa para ter acesso às células do corpo e infectá-las.

Os pesquisadores, liderados pelos médicos Andre Franke, da Universidade Christian-Albrecht de Kiel, na Alemanha, e Tom Karlsen, do Hospital Universidade de Oslo, na Noruega, também descobriram uma relação entre a gravidade da covid-19 e o tipo sanguíneo. O risco de casos graves de covid-19 é 45% maior para pessoas com sangue tipo A do que pessoas com outros tipos sanguíneos, e parece ser 35% menor para pessoas com sangue tipo O.

“As descobertas oferecem pistas específicas sobre os processos de doenças que podem acontecer na covid-19 grave”, disse Karlsen à Reuters por e-mail, observando que pesquisas adicionais são necessárias antes de as informações se tornarem úteis.

“A esperança é que esta e outras descobertas apontem o caminho para uma compreensão mais abrangente da biologia da covid-19”, escreveu Francis Collins, diretor dos institutos nacionais de Saúde dos Estados Unidos e especialista em genética, em seu blog nessa quinta-feira (18).

“Elas também sugerem que um exame genético e o tipo sanguíneo de uma pessoa podem fornecer ferramentas úteis para identificar aqueles que podem correr mais risco de uma doença grave.

 

*Agência Brasil

Covid-19: OMS espera produção de milhões de doses da vacina neste ano

Profissionais na linha de frente e vulneráveis podem ter prioridade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera que centenas de milhões de doses de uma vacina contra a Covid-19 possam ser produzidas neste ano e dois bilhões de doses até o final de 2021, disse a cientista-chefe Soumya Swaminathan, nesta quinta-feira (18).

A OMS está elaborando planos para ajudar a decidir quem deveria receber as primeiras doses uma vez que uma vacina seja aprovada, afirmou a cientista.

A prioridade seria dada a profissionais da linha de frente, como médicos, pessoas vulneráveis por causa da idade ou outra doença e a quem trabalha ou mora em locais de alta transmissão, como prisões e casas de repouso.

“Estou esperançosa, estou otimista. Mas o desenvolvimento de vacinas é uma empreitada complexa, ele envolve muita incerteza”, disse. “O bom é que temos muitas vacinas e plataformas, então, se a primeira fracassar ou se a segunda fracassar, não deveríamos perder a esperança, não deveríamos desistir.”

Cerca de 10 vacinas em potencial estão sendo testadas em humanos na esperança de que uma possa se tornar disponível nos próximos meses para prevenir a infecção. Países já começaram a fazer acordo com empresas farmacêuticas para encomendar doses antes mesmo de se provar que alguma vacina funciona.

Swaminathan descreveu o desejo por milhões de doses de uma vacina ainda neste ano como otimista, acrescentando que a esperança de até dois bilhões de doses de até três vacinas diferentes no ano que vem é um “grande se”.

A cientista afirmou que os dados de análise genética coletados até agora mostraram que o novo coronavírus ainda não passou por nenhuma mutação que alteraria a gravidade da doença que causa.

Fonte: Agência Brasil

Teletrabalho ganha força como alternativa durante pandemia

Até abril, 59 países haviam adotado a modalidade

Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, o teletrabalho se tornou uma alternativa para manter as atividades de empresas e organizações que não puderam continuar com a atuação presencial por causa dos riscos de contaminação. Empresas pensam em adotar essa modalidade para trabalhadores após a pandemia, mas organizações de defesa dos trabalhadores alertam que é preciso tomar cuidado com essa prática.

Segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), até abril 59 países adotaram a alternativa do teletrabalho. O Escritório de Estatísticas do Reino Unido estimou em 30% as atividades que poderiam ser feitas de casa. Estudo dos pesquisadores Johathan Dingel e Brent Neiman indicou que 34% das ocupações nos Estados Unidos poderiam ser feitas remotamente.

Outra investigação, do pesquisador Ramiro Albrieu, avaliou esse índice para a Argentina e concluiu que entre 26% e 29% das atividades laborais poderiam ser mantidas dessa maneira. Análise de Tito Boeri, Alessandro Caiumi e Marco Paccagnella estimaram esse percentual em 24% na Itália, 28% na França, 20% na Alemanha, 25% na Espanha e 31% na Suécia.

A OIT projetou que ela poderia ser empregada em 18% dos postos de trabalho. O índice sobe para 30% na América do Norte e na Europa Ocidental, e cai 6% na África Subsaariana e 8% no Sudeste Asiático.

Brasil

No Brasil, o Ministério da Economia não tem esse levantamento. A Confederação Nacional do Comércio estima que durante a pandemia essa alternativa tenha crescido cerca de 30%.

Em consequência da pandemia,muitas empresas que não tinham o teletrabalho como prática agora estão usando. Algumas já informaram que pretendem continuar com o trabalho remoto, já que há redução de custos e, em alguns casos, ajuda a manter bons funcionários, que preferem trabalhar remotamente”, analisa o economista da entidade Evandro Costa.

Segundo levantamento da Catho, empresa de recrutamento e gestão de recursos humanos, aumentou a oferta de vagas de postos cuja atuação pode ser feita remotamente, como operador de call center (2.015%), consultor de relacionamento (845%), analista de atendimento (127%) e programadores web (55%).

Na avaliação da gerente de Gente e Gestão da Catho, Patrícia Suzuki, as empresas não estavam preparadas para lidar com o teletrabalho. Ela acredita, no entanto, que a pandemia acabou acelerando um processo que, de alguma forma, já estava em curso. “Daqui para a frente, a oferta dessa alternativa será um fator para reter talentos dentro das companhias”.

Cuidados

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou diversas análises e orientações sobre o tema durante o período da pandemia. Jon Messenger, especialista em organização do tempo de trabalho da entidade, destaca algumas dicas para torná-lo eficaz.

No gerenciamento, é importante que chefias estabeleçam metas e tarefas claras e acompanhem sua evolução, mas sem exagerar na imposição de relatórios. Essas demandas devem ser ajustadas no caso de trabalhadores que cuidam de outras pessoas (sejam filhos ou familiares), uma vez que a pandemia resultou no fechamento de escolas. Além disso, ao ficar em casa e não no ambiente de trabalho esses cuidados são demandados e devem ser considerados na rotina.

O especialista lembra a necessidade de garantir equipamentos adequados, o que inclui não somente computadores e telefones como programas que permitam a sua execução remota. “Apps apropriados, suporte de tecnologia adequado e treinamento para trabalhadores e gestores”, diz Messenger no site da OIT.

As dinâmicas devem ficar claras, incluindo as expectativas, as tarefas que serão desempenhadas e as horas, tanto as de trabalho quanto aquelas nas quais os empregados podem ser contatados. Ele defende que o trabalhador possa ter flexibilidade para realizar as tarefas no local que convir, desde que permaneçam à disposição no horário de trabalho.

À Agência Brasil, especialistas em saúde do trabalho alertaram também para as condições do ambiente e do mobiliário e à necessidade de controle do tempo pelo trabalhador, para que a modalidade remota acabe não aumentando a carga de tarefas.

 

*Agência Brasil

Pentágono prevê vacina contra covid-19 até o fim do ano

Especialista diz que é possível esperar produto nesse período

REUTERS

A diretora do Programa de Pesquisa de Doenças Infecciosas das Forças Armadas dos Estados Unidos (EUA), coronel Wendy Sammons-Jackson, disse que é razoável esperar que algum tipo de vacina para o novo coronavírus esteja disponível para parte da população norte-americana até o fim deste ano.

O secretário de Defesa, Mark Esper, prometeu, em 15 de maio, que as Forças Armadas norte-americanas e outras áreas do governo iriam, em colaboração com o setor privado, produzir uma vacina em escala para tratar a população do país e seus parceiros pelo mundo até o fim do ano.

Outro pesquisador do Exército, Kayvon Modjarrad, afirmou que os pesquisadores estão aprendendo sobre o novo coronavírus mais rápido do que sobre qualquer outro vírus anteriormente.

“Então, chegar a uma vacina em questão de meses, do conceito até a fase 3 de testes clínicos e com potencial de licenciamento, não tem precedentes. Mas, neste caso, acredito muito que seja possível”.

Pesquisadores disseram que o trabalho envolve empresas como AstraZeneca, Johnson & Johnson, Moderna e Sanofi para desenvolver medicamentos de anticorpos e vacinas. Os militares planejam testar sua própria vacina em pessoas no fim do verão no Hemisfério Norte.

Fonte: Agência Brasil

Covid-19: estudo indica que maioria de infectados cria anticorpos

Entre as pessoas pesquisadas, 99% desenvolveram anticorpos

Estudo recente de um hospital de Nova York analisou 624 pessoas com covid-19 e concluiu que 99% desenvolveram anticorpos contra o novo coronavírus. É preciso verificar ainda se esses anticorpos conferem a imunidade suficiente para que alguém infectado não volte a ter a doença.

O estudo, que é ainda preliminar e tem de ser revisto por outros especialistas, sugere que a quantidade de anticorpos gerados é independente da idade, género ou gravidade da doença. Outro estudo  feito na China com 175 infectados indica que os pacientes com sintomas mais graves produzem mais anticorpos.

Os especialistas norte-americanos admitem que os doentes alcancem o pico da produção de anticorpos cerca de 15 dias depois do aparecimento de sintomas e sugerem que é apenas nessa altura que se devem realizar os testes de imunidade. Essa poderá ser a razão pela qual outros estudos, desenvolvidos precocemente, não detectaram anticorpos nos pacientes.

A quantidade de anticorpos de um paciente está relacionada à capacidade do plasma para neutralizar o vírus, de acordo com o estudo do hospital de Nova York, publicado na revista Nature Medicine. Por essa razão, o plasma dessas pessoas pode vir a ser um dos tratamentos possíveis para outros pacientes.

Em Portugal já começou a colheita de plasma de doentes recuperados para ser usado em ensaios clínicos. Os testes desenvolvidos no Hospital Mount Sinai, em Nova York, foram aprovados pela agência federal FDA e tinham menos de 1% de hipótese de produzir falsos resultados positivos, com elevado grau de confiabilidade.

Os especialistas explicam que os anticorpos se unem à proteína S, que o vírus utiliza para entrar nas células humanas, evitando assim que surjam reinfeções. Frisam, porém, que falta determinar a quantidade de anticorpos necessária para que haja imunidade e se eles têm a capacidade neutralizadora suficiente.

O estudo de Nova York é o mais amplo realizado até agorato, contando com a participação de grande número de pacientes e utilizando o mais sensível teste a anticorpos disponível.

 

Fonte: Agência Brasil

Novo coronavírus é capaz de se espalhar pela fala, diz estudo

Pesquisadores ainda tentam quantificar este tipo de transmissão do vírus que causa a Covid-19

Foto: Joe Klamar / AFP / CP

As microgotas de saliva gerados durante a fala podem permanecer suspensos no ar em um espaço fechado por mais de dez minutos, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (13), que destaca o provável papel desse mecanismo na propagação do novo coronavírus.

A disseminação do Sars-Cov-2 por tosse e espirros é amplamente conhecida, mas quando falamos, também projetamos gotículas invisíveis de saliva que podem conter partículas virais. Quanto menores, mais permanecem suspensos no ar, enquanto os mais pesados, devido ao efeito da gravidade, caem mais rápido no chão.

A transmissão pelo ar expirado é bem estudada para vírus como o sarampo, que é um dos mais contagiosos e conhecidos e capaz de apresentar gotas microscópicas, mas os pesquisadores ainda estão tentando quantificar esse tipo de transmissão para o vírus que causa a Covid-19.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK) fizeram uma pessoa repetir a frase “permanecer saudável” em voz alta por 25 segundos em uma caixa fechada. No experimento, um laser projetado na caixa iluminou as gotas, permitindo que fossem vistas e contadas. As gotas permaneceram no ar por uma média de 12 minutos.

Considerando a concentração conhecida de coronavírus na saliva, os cientistas estimam que falar em voz alta pode gerar o equivalente por minuto de mais de 1 mil gotas contaminadas, capazes de permanecer no ar por 8 minutos ou mais em um espaço fechado.

“Essa visualização direta demonstra como a fala normal gera gotículas no ar que podem permanecer suspensas por dezenas de minutos ou mais e são capazes de transmitir doenças em espaços confinados”, concluíram os pesquisadores.

Em um artigo publicado na revista NEJM de abril, a mesma equipe descobriu que falar menos alto produzia menos gotas. A confirmação do nível de contágio do Sars-Cov-2 falando e não apenas pelas gotas de saliva que caem nos interruptores, rampas ou maçanetas ajudará a justificar cientificamente o uso da máscara, agora recomendada em muitos países, e a explicar a alto contágio do vírus.

Fonte: AFP