Atendimentos em saúde mental crescem durante pandemia

Desde o início da pandemia de coronavírus, aumentou a busca por atendimento em saúde mental nos postos de saúde e nos serviços da atenção especializada do Rio Grande do Sul. O fenômeno foi identificado a partir de uma pesquisa realizada pela Coordenação Estadual de Saúde Mental da Secretaria da Saúde (SES).

Gestores de 402 municípios gaúchos participaram da pesquisa. Nos serviços da Atenção Básica (como nas Unidades Básicas e Estratégia Saúde da Família), 78% gestores municipais perceberam um aumento na demanda desta natureza. Nos serviços da atenção especializada (Centros de Atenção Psicossocial), 68% dos gestores relataram essa maior demanda.

Entre os principais sintomas de saúde mental que fazem as pessoas procurarem mais os serviços de saúde estão ansiedade, nervosismo ou tensão, perturbação de sono e uso abusivo de álcool ou medicamentos e outras drogas. “Durante uma pandemia, é normal a exacerbação de emoções e sentimentos. Essa situação implica em uma perturbação psicossocial que pode afetar toda a população, em diferentes níveis de intensidade e gravidade”, explica a coordenadora da Saúde Mental, Marilise Souza.

A especialista diz que não há uma forma de “medir” as emoções, para saber se os próprios sintomas ou os de alguém próximo podem ser considerados dentro do “normal” para as atuais circunstâncias ou se está na hora de procurar ajuda profissional. “Isso é muito subjetivo. O que se deve questionar é o quanto essas perturbações estão atrapalhando no seu dia a dia”, completa Marilise.

As taxas de internação hospitalar por transtornos mentais e comportamentais, no entanto, não tiveram aumento durante o primeiro quadrimestre deste ano em relação ao ano passado (foram 9.919 internações entre os meses de janeiro e abril de 2020 e 10.896 internações no mesmo período de 2019).

Para preparar os municípios para o enfrentamento dos eventuais desdobramentos em saúde mental decorrentes da pandemia, a SES recomenda aos gestores municipais a elaboração de Planos Municipais de Cuidados em Saúde Mental e Apoio Psicossocial. As diretrizes do que deve constar nos planos estão disponíveis no site sobre coronavírus da SES junto ao Plano de Contingência Estadual.

Apoio remoto

Quem precisa de apoio profissional pode fazer um atendimento on-line gratuito pelo Projeto ReviraSaúde, da Secretaria da Saúde em parceria com outras instituições e universidades. Os profissionais cadastrados são de diversas áreas da saúde e disponibilizam atendimento por telefone, WhatsApp, Skype, Facebook ou outro contato on-line.

Cuidados com saúde mental

Dicas da SES e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para manter a mente saudável durante o isolamento social:

• Manter as rotinas de sono, fazer exercícios físicos e ter alimentação saudável.

• Cuidar dos outros também faz bem. A solidariedade faz bem para quem a recebe e também para a saúde mental de quem a faz.

• Não se expor tanto a informações ao longo do dia. Procurar fontes fidedignas e em horários específicos. É importante se manter informado, mas o excesso pode causar ansiedade ou estresse.

• Evitar o uso de tabaco, álcool e outras drogas.

• Manter contato virtual com familiares e amigos frequentemente.

• Estar alerta aos sinais de estresse e raiva nas crianças e idosos que estão sob sua tutela. Explicar a essas pessoas a importância de se proteger e tentar acalmá-los.

• Ajudar crianças a se expressarem, com atividades criativas e lúdicas.

• Buscar o sistema de saúde quando for realmente necessário.

• Não é porque profissionais de saúde passam por um momento de maior ansiedade que são incapazes de realizar o trabalho ou uma pessoa fraca. É indispensável fazer pausas entre os turnos e mesmo durante o turno de trabalho.

Fonte: Governo RS/ SECOM

Ciclone extratropical pode causar tempestade e rajadas de vento de até 100 km/h no RS

Previsão aponta que alterações no tempo começam na madrugada de terça (7)

Um ciclone extratropical pode causar pancadas de chuva e vento forte no Rio Grande do Sul a partir da madrugada desta terça (7). Segundo o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPMET) da Universidade de Pelotas, as rajadas de vento podem chegar até 100 km/h.

De acordo com o boletim, tempestades severas devem se formar na Região Norte do estado. Ao longo do dia, as instabilidades podem se espalhar para a Serra, a Região Central e o Litoral Norte.

A previsão ainda alerta para descargas elétricas com chance de ocorrência de granizo, e por conta disso, há risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos.

Porto Alegre está em estado de alerta para intensidade da chuva, segundo a Defesa Civil. Tempestades podem vir acompanhadas de trovoadas, rajadas de vento e queda de granizo.

Quanto às temperaturas, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que, no fim da quarta-feira (8), uma massa de ar frio vinda da Argentina pode baixar as temperaturas em todo estado. Geadas intensas podem atingir parte do Rio Grande do Sul.

Na última semana, um ciclone bomba deixou mais de duas mil pessoas desabrigadas ou desalojadas em 23 cidades do Rio Grande do Sul. Alagamentos e ventos que passaram dos 100km/h atingiram diversas regiões do estado.

Um homem de 53 anos morreu atingido por um deslizamento de terra em Nova Prata, na Serra do RS.

Cidades da Região Norte, como Iraí e Lagoa Vermelha foram as mais atingidas e chegaram a decretar situação de emergência.

Fonte: G1 RS

Morre em Passo Fundo jovem vítima de explosão de lareira em Lagoa Vermelha

Bruno Reinehr/Rádio Planalto News

Morreu na madrugada desta segunda-feira, 06, no hospital São Vicente de Paulo, Terluize Toson Farias Teixeira, de 12 anos.  Ela estava internada na casa hospitalar devido a uma explosão, que ocorreu em Lagoa Vermelha.

Na noite do sábado, 04, uma residência pegou fogo, no Bairro Nunes, em lagoa Vermelha.

Cinco pessoas se feriram; uma mulher de 33 anos, um homem de 38, um menino de 07 anos, uma menina de 12, e a avó das crianças.

Uma lareira ecológica que é abastecida por etanol acabou explodindo, ferindo as vítimas que estavam reunidas na garagem e iniciando o sinistro.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado removendo as vítimas até o Hospital São Paulo para atendimento médico, com ferimentos leves e graves pelo corpo.

A menina de 12 anos foi encaminhada ao Hospital São Paulo, onde recebeu os primeiros atendimentos, devido á gravidade dos ferimentos, foi removida ao CTI do Hospital São Vicente de Paulo. Lá, apresentou uma piora no seu estado de saúde, vindo a falecer na madrugada desta segunda-feira.

O irmão da menina, de 07 anos, também está em Passo Fundo, onde inspira cuidados. Os pais seguem hospitalizados em Lagoa Vermelha. A avó é a única da família que já deu alta e está em casa.

O corpo de Terluize deverá chegar na tarde desta segunda-feira em Lagoa Vermelha para os atos fúnebres.

 

Fonte: Rádio Lagoa FM

PRF prende homem por porte ilegal de arma em Sarandi

A Polícia Rodoviária Federal prendeu um homem que portava ilegalmente uma espingarda 12 na noite deste domingo (5), na BR 386 em Sarandi.

Os policiais realizavam fiscalização de combate à criminalidade na Unidade Operacional da PRF em Sarandi quando deram ordem de parada a uma L200 com placas de Canoas/RS. O condutor não obedeceu a ordem e tentou evadir-se do local, sendo perseguido e interceptado pelos policiais.

No interior do veículo estavam dois homens, após vistoria na caminhonete foi encontrada atrás do banco uma espingarda 12 com 11 cartuchos intactos e seis deflagrados. A arma é de propriedade do passageiro, 25 anos, que confirmou utilizar o armamento em regiões do interior mas que não possui porte de arma.

Ele foi preso e encaminhado à polícia judiciária para confecção do flagrante. A arma foi apreendida.

 

*Polícia Rodoviária Federal

Covid-19 amplia desafios dos prefeitos, diz novo presidente da Famurs

Prefeito de Taquari, Maneco Hassen assume a presidência da Famurs nesta quarta-feira

Em uma solenidade diferente, nesta quarta-feira, o prefeito de Taquari, Maneco Hassen, assume a presidência da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). Em um momento que as prefeituras enfrentam desafios trazidos pela pandemia, Hassen avalia o protagonismo dos municípios, as dificuldades, o adiamento das
eleições deste ano e a importância da  ampliação dos diálogos.

O senhor assume a presidência da Famurs em um momento delicado em função da pandemia. Como o senhor compreende o papel e os desafios dos municípios no atual contexto, em que muitas decisões passam pelos gestores municipais, e também em função do aval dado pelo Supremo Tribunal Federal sobre as políticas de isolamento social?

Primeira conclusão genérica a que a gente chega é que os municípios, no país como um todo, como reflexo do pacto federativo, precisam ser mais valorizados. Em todos os momentos de crise quem segura as pontas é quem está mais perto da população, que são os prefeitos e as prefeitas. Mais do que nunca neste momento está a olhos vistos. Essa pressão que há de abre ou fecha, essas eventuais divergências entre alguns prefeitos e algumas lideranças sobre esse tema nada mais é do que o reflexo dessa proximidade com a população. A característica de cada cidade e de cada região acaba aflorando em uma hora dessas por conta da proximidade dos líderes municipais. Não é só uma questão de gestão. O prefeito e a prefeita são cidadãos na cidade no dia a dia. É diferente de outros poderes e de outras instituições. E isso acaba suscitando às vezes essas peculiaridades regionais e dando um aspecto de divergência. Quando na verdade, na Famurs, não interpretamos dessa maneira. Entendemos a dificuldade que os municípios têm de resolver determinados problemas que não estão sob sua competência. Por exemplo, o grande debate, nas últimas semanas, da troca de bandeiras (do projeto de Distanciamento Social Controlado do governo do Estado). Ele é baseado, mesmo que eu discorde pessoalmente, em um único argumento: leitos de UTI. O debate gira todo em torno da ocupação dos leitos da UTI. Todos os municípios do Interior e boa parte da Região Metropolitana de Porto Alegre não têm condições de ter leitos de UTI. E os que têm não têm condições de mantê-los sozinhos. Os hospitais enfrentam dificuldades enormes de financiamento. A maioria está devendo recursos e enfrentando dificuldades (como recentemente a falta de medicamentos e itens para utilização nas UTIs). Enquanto isso, o governo do Estado deve mais de R$ 500 milhões em recursos para a área da saúde.

Como tem sido a conversa nas cidades em relação a abertura e fechamento do comércio? 

As entidades e as pessoas querem que o prefeito resolva o problema econômico que tem que ser resolvido pelo governo federal. E o prefeito muitas vezes tem dificuldade de dar essa resposta. Ele (o prefeito) não pode dizer que não é problema dele. Fica muito evidente que os municípios deveriam ser mais valorizados e o que acontece é o contrário. Outro ponto é a regionalização da saúde. Tivemos uma política de concentração de leitos, fechamento de hospitais, concentração de recursos. Toda uma política contraditória que faria diferença nesse momento. É uma questão a ser repensada depois que esse momento passar.

O senhor disse discordar do programa de distanciamento social por conta do indicador da ocupação da UTI. De uma maneira geral, como o senhor avalia esse projeto? 

Eu divirjo nesses últimos dias do conceito do debate. Eu acho que a gente deveria trabalhar para as pessoas não chegarem à UTI. Não a gente adotar ações agora que as UTIs estão enchendo. Agora, o decreto na teoria, na minha opinião, ele é o melhor modelo que já surgiu. Não há outro modelo no país parecido com o nosso e que possa guiar minimamente o combate à pandemia. Estamos vendo a maioria dos outros estados e municípios dando tiro na lua. Conforme as coisas vão acontecendo, eles vão abrindo e fechando, até sem muito critérios. Mal ou bem, aqui no Rio Grande do Sul nós temos, ou tínhamos, critérios claros e objetivos. Na nossa opinião, nas últimas semanas, foram muitas mudanças que não se sustentam cientificamente, que foi o argumento que o governo usou desde o início e nós concordamos com ele. A Famurs sempre disse que assim deveria ser, com argumentos científicos. Mas as últimas modificações não foram científicas e técnicas, elas foram por decisão política do governo. E nem estou entrando no mérito se estão erradas ou certas.

Como o senhor avalia o adiamento das eleições deste ano de outubro para novembro? 

Essa decisão do Congresso (promulgação da PEC), que obviamente a gente respeita e é legítima, não era a opinião da Famurs e nem da CNM (Confederação Nacional dos Municípios). Na nossa opinião, o ano de 2020 não é de se realizar eleições justamente por tudo que estamos passando, pela inviabilidade de termos um processo eleitoral devidamente justo, igualitário, com participação das pessoas e que incentive o leitor e os próprios candidatos a apresentarem, da melhor maneira, suas propostas, e que as pessoas possam conhecer o melhor projeto. Com a eleição neste ano, isso não vai acontecer a contento. Ainda estaremos com restrições, com possibilidades de contaminação e provavelmente a participação das pessoas será menor. A decisão do Congresso é soberana e nós, pela Famurs, vamos trabalhar ao máximo para ajudar os municípios.

A Famurs tem promovido ações para auxiliar a administração dos prefeitos. Quais áreas que o senhor aponta que é preciso melhorar?

Temos o trabalho da Escola de Gestão da Famurs. Além desse trabalho, fizemos algumas cartilhas de orientação com o Tribunal de Contas do Estado, algo inédito. O TCE sempre teve uma postura de fiscalização posterior. Nós conseguimos fazer esse trabalho preventivo. Infelizmente, a pandemia mostrou que a própria Escola de Gestão não estava preparada para este momento, mas estamos nos reorganizando, e de maneira muito rápida. A relação com o TCE e o Ministério Público nos mostra que a grande maioria dos erros administrativos dos prefeitos são involuntários. Ou por desconhecimento ou por descuido. Temos que ajudar para que esses erros não ocorram.

A posse (8 de julho) será diferenciada neste ano. Como tem sido esse momento de transição? 

Será on-line, pelas redes sociais, de maneira muito singela. Nunca imaginei que estaríamos passando por período como este. Há um ano, assumi como vice, ao lado do prefeito Eduardo Freire. Tivemos uma parceria muito importante. Queremos nesse momento, seguir nesse mesmo ritmo e linha. Boa parte da equipe vai permanecer a mesma. Por óbvio, o planejamento que tínhamos feito acabou sendo superado por causa da pandemia. Esse momento obviamente aumenta ainda mais a nossa responsabilidade.

Fonte: Correio do Povo

Apreensões de drogas crescem 41% em prisões do RS durante pandemia

De março a maio deste ano, foram localizados 64,6 quilos de entorpecentes em casas prisionais

Susepe/ Divulgação

As apreensões de drogas nas prisões do Rio Grande do Sul têm crescido durante a pandemia do coronavírus. De março a maio, o aumento é de 41% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária (Seapen). Uma das primeiras medidas adotadas para tentar conter o avanço da covid-19 nas cadeias foi a suspensão de visitas. Desde então, percebe-se série de situações inusitadas na tentativa de fazer entorpecentes e celulares cruzarem os portões das casas prisionais.

Na soma de março, abril e maio, foram encontrados 64,6 quilos de drogas — o período é o mais recente compilado pelo governo do Estado. A maconha está no topo dos narcóticos mais localizados nas cadeias gaúchas: 83% do total, com 53,8 quilos apreendidos. Na sequência vem a cocaína, com 7,3 quilos, e crack, com 3,5 quilos. O secretário Cesar Faccioli afirma que já era esperada maior tentativa de ingresso, devido ao momento mais tenso no sistema, com visitas suspensas.

— Estatisticamente, percebemos esse aumento. Mas estamos conseguindo segurar mais na porta da entrada, onde acontece a maior parte das apreensões, e com operações internas reduzir o espaço de possibilidade de circulação dentro. Não vamos tapar sol com peneira, mas hoje o que circula dentro é menos do que no ano passado. Estamos num processo de enfrentamento disso — diz, ao reconhecer que o material apreendido representa parcela do que realmente ingressa.

— Historicamente, o Estado, pela falta de investimento no sistema prisional, precisou relativizar esses itens e contar com ajuda de familiares. A sacola é evidentemente uma possiblidade de entrada de ilícitos e da covid-19. Intensificamos os protocolos sanitários e de segurança — afirma Faccioli.

Já prevendo também o risco de aumento de arremessos durante a restrição de visitas, unidades adotaram medidas como limpeza e iluminação do entorno. Em Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, foram instaladas telas. Nos arremessos, também há uso de criatividade. No Presídio Regional de Pelotas, quatro bolas de tênis jogadas para o pátio estavam cheias de maconha. Mas essas não são as únicas formas de ingresso. Em março, um dentista foi preso em Caxias do Sul, na Serra, por suspeita de entregar sete celulares, serras e quase um quilo de drogas a um preso, durante o atendimento. Em 16 de junho, em Santa Rosa, no Noroeste, um funcionário de dedetização foi flagrado com 21 celulares e entorpecentes, ao passar pelo scanner.

Em 2019, oito scanners corporais foram instalados em prisões do RS, somados aos seis existentes. O aparelho permite identificar objetos por meio de raio X. Investimento em equipamentos, maior rigor nos protocolos de revistas, treinamento de agentes, e foco na inteligência prisional são fatores apontados pela Seapen para aumentar apreensões. O ex-secretário nacional de segurança e coronel reformado da PM de São Paulo José Vicente da Silva Filho concorda que a tecnologia, além da qualificação e supervisão de servidores, são fundamentais. Mas alerta para necessidade de reduzir entrada de itens nas cadeias, o que demanda que o Estado forneça o essencial, como produtos de higiene e roupas básicas.

— O scanner tem vantagem sobre o funcionário na revista: o servidor está sujeito a relaxamento no grau de fiscalização, o equipamento não. O uso de câmeras, como forma de detectar algum comportamento estranho, também é importante, além de focar nos pontos vulneráveis, como visitas e fornecedores. É necessário que o Estado entenda que segurança não é só muro e guarda. Tudo que precisa ser levado pelas famílias deixa o presídio mais vulnerável. Evitar isso faz parte da administração de segurança das prisões — analisa.

Para o cientista social e professor de Tecnologia em Segurança Pública e Gestão Pública Charles Kieling, a pandemia trouxe fragilidades para o sistema, como fluxo de detentos liberados por integrarem o grupo de risco e agentes afastados por suspeita de contaminação — a Seapen afirma que não divulga os números de servidores nessa situação por orientação do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

— Isso impacta na segurança, na vistoria realizada pelos agentes, permitindo acesso de drogas. Mesmo que o Estado tenha investido em equipamentos, a vulnerabilidade continua muito grande. Esse montante apreendido representa parcela do montante que ingressa e não é pego — analisa.

Os dois especialistas afirmam que o mercado do tráfico tem influência no que ingressa nas prisões, pois redução da circulação de pessoas impacta na venda de drogas, inclusive baixando o valor. Com menos consumidores e fiscalização mais acirrada da polícia, é preciso escoar a mercadoria para outros locais.

— O tráfico é um comércio de rua, e a situação vem dificultando a venda. A droga que não vendem nos pontos estão levando para as prisões. Essa é uma possível movimentação que esteja acontecendo. A dinâmica criminal nos tempos de pandemia ainda está sendo conhecida pela polícia — afirma Silva Filho.

Central

No topo do ranking de cadeias que somam a maior parte das apreensões está o Presídio Central, em Porto Alegre. A casa prisional, com cerca de 4 mil presos e capacidade para 1,8 mil, concentra quase um quarto das drogas localizadas nas unidades do RS — 24% (15,9 quilos). No Central, também foi apreendido o maior volume de celulares: 324. No Estado, nesse mesmo período, o número de aparelhos localizados diminuiu. Foram 2.133 telefones apreendidos, o que, embora represente média de 23 por dia, é 15% menos do que de março a maio de 2019, quando foram encontrados 2.526.

— Há menos detentos no momento nas prisões do que havia no início da pandemia, isso pode explicar a redução nas apreensões de aparelhos — avalia Kieling.

Um caso curioso registrado em maio no Presídio de Santiago, na Região Central, demonstra a engenhosidade para tentar burlar a fiscalização. Os agente encontraram um descongestionante nasal caído no telhado da prisão. Quando abriram o frasco de plástico, depararam com um pequeno celular, de apenas seis centímetros, que cabia na palma da mão.

Ranking das apreensões

Drogas

  1. Presídio Central (Cadeia Pública de Porto Alegre): 15,9 quilos
  2. Penitenciária Estadual de Porto Alegre: 4,7 quilos
  3. Penitenciária de Cachoeira do Sul: 4 quilos
  4. Penitenciária Modulada de Charqueadas: 3,9 quilos
  5. Presídio Regional de Passo Fundo: 2,9 quilos

Celulares

  1. Presídio Central (Cadeia Pública): 324
  2. Penitenciária Modulada de Osório: 171
  3. Presídio Regional de Passo Fundo: 90
  4. Penitenciária Estadual de Santa Maria: 79
  5. Penitenciária Estadual de Caxias do Sul: 78

Fonte: Gaúcha ZH

Hospitais gaúchos recebem mais R$ 17 milhões em emendas parlamentares

Um novo encontro virtual realizado ontem (2/7) entre a secretária da Saúde, Arita Bergmann, e a secretária-adjunta, Aglaé Regina da Silva, com deputados estaduais e federais e gestores hospitalares garantiu o repasse de mais R$ 17 milhões em emendas parlamentares a 24 hospitais gaúchos sob gestão do governo do Estado.

O ato marcou a assinatura dos termos aditivos aos contratos com cada hospital. Os recursos serão pagos às instituições assim que a portaria da Secretaria da Saúde (SES) que regulamenta esse repasse for publicada no Diário Oficial do Estado (DOE).

A secretária Arita ressaltou a importância do trabalho conjunto e eficiente de todas as pessoas que trabalham nesse processo e garantem que o dinheiro chegue rapidamente à ponta. “Nossa equipe de trabalho, seja aqui em Porto Alegre ou nas Coordenadorias Regionais de Saúde, assim como os parlamentares gaúchos, não tem hora nem dia para trabalhar. Todo esse esforço é revertido em serviços de saúde à população por meio do Sistema Único de Saúde”, disse.

O deputado federal Afonso Hamm disse que as palavras que definem o momento são “parceria” e “agradecimento” por poder auxiliar a SES e os hospitais neste momento delicado. O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, André Lagemann, agradeceu a dedicação da secretaria e a celeridade com que foram realizados os repasses de recursos “tão importantes aos nossos hospitais, principalmente agora, que todo esforço é necessário para mantê-los de portas abertas”. O deputado estadual Frederico Antunes ressaltou que neste ano os recursos de emendas parlamentares foram prioritariamente destinados para a área da saúde.

Arita aproveitou a presença dos deputados federais para pedir apoio na interlocução com o Ministério da Saúde para encontrar soluções ao desabastecimento de medicamentos para intubação de pacientes que necessitam de respiradores.

Relação de hospitais e valores recebidos.

Texto: Ascom SES
Edição: Secom

Com agravamento da pandemia, governo do RS descarta qualquer retorno presencial às escolas

Eduardo Leite anunciou a abertura, nesta quinta-feira, de uma consulta pública às entidades ligadas à educação, saúde e assistência social

Foto: Elias Eberhardt / Divulgação

O governo do Rio Grande do Sul não trabalha com nenhuma previsão de retorno presencial às escolas. A nova posição foi anunciada pelo governador Eduardo Leite em videoconferência nesta quinta-feira. De acordo com Leite, a complexidade do cenário epidemiológico no Estado, com atualmente 636 mortes por coronavírus e 28,1 mil casos confirmados de Covid-19, “suspende qualquer discussão sobre retornos”. Na semana passada, o governador chegou a afirmar que a volta ao calendário de ensino presencial deveria ocorrer no mês de agosto. Enquanto isso, estudantes da rede de ensino pública e privada permanecem com as atividades escolares no formato remoto.

O governo inicia nesta quinta-feira uma consulta pública, por meio de um questionário eletrônico, com entidades gaúchas ligadas à educação, infância, saúde, proteção à criança e ao adolescente. A previsão é que 1,3 mil entidades participem da pesquisa até o dia 12 de julho. A consulta irá questionar sobre a ordem de retorno presencial do ensino, que ocorrerá por etapas, assim como sugestões de protocolos de prevenção ao coronavírus que devem ser adotados nas instituições de ensino.

Sobre a educação infantil ser a primeira fase do retorno às escolas, o governador disse que “há argumentos para os dois lados”, lembrando que ao mesmo tempo que os pais precisam de quem cuide dos filhos, devido ao retorno presencial das atividades trabalhistas, as crianças possuem pouca autonomia para os protocolos individuais de higiene. “Vamos fazer o esforço de ouvir as entidades para melhor organizar como se dará o retorno”, afirmou.

A secretária de Planejamento e coordenadora do Comitê de Dados do governo, Leany Lemos, destacou que o tema é um dos mais complexos trabalhados durante a pandemia. “Estamos falando de crianças e adolescentes, em muitos casos de pessoas que não têm como cuidar da sua própria higiene, de protocolos em si, então vai ter que ter um cuidado redobrado”, destacou ao dizer que o Comitê está observando planejamentos adotados em outros países e aos últimos trabalhados científicos na área.

Já o secretário estadual de Educação, Faisal Karam, destacou que a implantação da consulta pública é um “grande avanço” para a discussão do tema. “Momento fantástico que o governo está proporcionando de compartilhar, de ouvir as entidades, e de entender o grau de prioridade de cada uma das áreas e deixando que através da representatividade decidamos quando e como voltar”, disse se referindo ao retorno presencial às escolas.

 

Fonte: CP

Caso Rafael: mãe que confessou ter matado filho é indiciada por homicídio triplamente qualificado

Alexandra Dougokenski, 33 anos, está detida desde 25 de maio. Inquérito foi concluído nesta quinta-feira pela Polícia Civil

Jeniffer Gularte / Agência RBS

Após admitir que matou o filho Rafael Mateus Winques, 11 anos, com uma corda de varal, Alexandra Dougokenski, 33 anos, foi indiciada por homicídio triplamente qualificado, falsidade ideológica e ocultação de cadáver. A Polícia Civil concluiu o inquérito que investiga o assassinato do garoto na cidade de Planalto, no norte do Rio Grande do Sul.

O indiciamento de Alexandra foi anunciado em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (2) no auditório do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Porto Alegre.  Até o final da tarde, o inquérito policial será remetido ao Judiciário. Caberá a promotora de Planalto Michele Kufner oferecer denúncia ou não. Como Alexandra esta presa, o Ministério Público tem cinco dias para se manifestar.

— Trouxemos nos autos o passo a passo da cronologia do crime do dia 14 de maio em diante. Inclusive, temos a motivação do crime. Durante todo período da investigação, ela oscilava entre dizer a verdade e mentir. Desde o começo, as características visíveis do corpo da vítima, pelo uso da corda para asfixiar, indicavam que ela teve intenção de matar — afirma o diretor de investigação do Departamento de Homicídio, delegado Eibert Moreira Neto.

No último sábado (27), em depoimento no Palácio da Polícia, na Capital, Alexandra mudou a versão que vinha sustentando até então, de que não teve a intenção de matar o filho. A mãe admitiu que matou o menino com uma corda de varal quando ele estava acordado no quarto, motivada pela desobediência do garoto. A investigada diz que, por volta da meia-noite do dia 15 de maio, deu dois comprimidos de Diazepam ao filho, após tê-lo repreendido por passar diversas noites em claro mexendo no celular, para que dormisse. Alexandra foi para cama. Por volta das 2h, acordou, retornou ao quarto e Rafael ainda estava no celular, mesmo após a ingestão do medicamento. Nessa hora, conforme o testemunho, foi quando decidiu matá-lo.

Segundo o delegado, durante a reconstituição do crime, em 18 de junho, embora a Alexandra tenha apresentado uma versão falsa, ela demonstrou que conseguia transportar o filho e, por isso, não havia necessidade de usar corda para tração do corpo como tinha mencionado em outros depoimentos.

— A casa de Alexandra fica a 400 metros de um hospital. O celular dela tem o aplicativo do Samu, que é só clicar e o aplicativo, por georreferenciamento, já localiza o paciente. Não havia justificativa para que ela não tivesse acionado a rede pública de saúde, que ficava tão perto da casa dela, se fosse apenas um acidente — disse Eibert na coletiva.

Ao analisar o celular de Alexandra, que estava com todas os históricos de pesquisa apagados, a polícia conseguiu identificar que, na madrugada do crime, a mãe pesquisou sobre a composição do Boa Noite Cinderela e vídeos de cenas de sexo com violência e estupro:

A casa de Alexandra fica a 400 metros de um hospital. O celular dela tem o aplicativo do Samu, que é só clicar e o aplicativo, por georreferenciamento, já localiza o paciente. Não havia justificativa para que ela não tivesse acionado a rede pública de saúde, que ficava tão perto da casa dela, se fosse apenas um acidente.

EIBERT MOREIRA NETO

Diretor de investigações do Departamento de Homicídios da Polícia Civil

— Todas essas cenas acompanhadas de asfixia e estrangulamento de mulheres, inclusive utilizando corda, o que nos remete a morte de Rafael. Foram localizadas fotografias pornográficas em que mulheres apareciam envolta de cordas. Foi algo que nos chamou muito atenção. Mais uma vez isso nos remete ao comportamento da Alexandra.

Na mesma noite, segundo a polícia, Alexandra fez uma compra pela internet às 2h15min de um creme depilatório para a sobrancelha.

A Polícia Civil também está representando pela prisão preventiva de Alexandra. Desde o dia 25 de maio, quando confessou o crime, a mãe está presa temporariamente – atualmente, ela está detida na Penitenciária Feminina de Guaíba.

Alexandra também foi indiciada por falsidade ideológica, pois, ao registrar o boletim de ocorrência de desaparecimento de Rafael, em 15 de maio, deu declaração falsa em documento público, buscando alterar a veracidade do fato.

Contraponto

Em nota, a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, responsável pela defesa de Alexandra, informou que ainda não foi possível conversar com a investigada sobre detalhes do caso penal, já que ela encontra-se, desde a última segunda-feira (29), internada em um hospital da Grande Porto Alegre para tratamento de saúde. A Defensoria teve acesso parcial aos autos do inquérito e aguarda laudos pericias para ter mais informações.

Fonte: ZH

Rio Grande do Sul atinge meta da Campanha de Vacinação Contra a Gripe

Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

O Estado atingiu a meta de cobertura de 90% do público-alvo geral da Campanha Nacional de Vacinação da Influenza neste ano. Oficialmente, a campanha se encerrou na terça-feira (30/6), conforme diretriz do Ministério da Saúde. A orientação da secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, é que os municípios sigam fazendo busca ativa nos grupos prioritários que ainda não atingiram a meta. “Para os municípios que atingiram a meta e ainda tenham doses da vacina, a recomendação é abrir para os outros grupos da população”, recomenda.

A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, Tani Ranieri, esclarece que “o percentual de 90% não foi atingido de forma homogênea, considerando-se a distribuição entre os grupos prioritários e entre os municípios.

A cobertura vacinal foi atingida no grupo dos trabalhadores de saúde (112,88%), dos povos indígenas (103,24%) e dos idosos (116,50%). “Mas em alguns grupos a vacinação ficou bem abaixo do esperado, como para as crianças (60,84%), gestantes (57,3%), adultos de 55 a 59 anos (54%) e puérperas (62,83%)”, pontua Tani. “Para vencermos este desafio, contamos com o apoio e o compromisso de todos os envolvidos.”

A enfermeira do Núcleo Estadual de Imunizações do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Eliese Denardi Cesar, diz que as pessoas nos grupos de risco são mais vulneráveis a complicações decorrentes da gripe. A vacina diminui as internações pela doença e, portanto, evita sobrecarga de atendimentos em tempos de epidemia da Covid-19.

Confira aqui o relatório da aplicação de doses.

PÚBLICOS-ALVOS
Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe neste ano

• Pessoas de 60 anos ou mais
• Trabalhadores da saúde
• Profissionais das forças de segurança e salvamento
• Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais
• Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas
• População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional
• Caminhoneiros
• Motoristas e cobradores de transporte coletivo
• Portuários
• Povos indígenas
• Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
• Pessoas com deficiência, gestantes e puérperas até 45 dias
• Adultos de 55 a 59 anos
• Professores de escolas públicas e privadas

Cobertura vacinal da gripe no Rio Grande do Sul neste ano

• Todos públicos-alvo: 90%
• Trabalhadores de saúde: 112,88%
• Povos indígenas: 103,24%
• Idosos: 116,5%
• Crianças: 60,84%
• Gestantes: 57,3%
• Adultos de 55 a 59 anos: 54%
• Puérperas: 62,83%

Texto: Ascom SES
Edição: Secom