CMN facilita renegociação de dívidas de produtores rurais

Conselho amplia fonte de recursos para destravar acordos

Os produtores e as cooperativas rurais que tiveram prejuízos provocados pela seca ou pela estiagem no início do ano ganharam um estímulo para renegociarem as dívidas com operações de crédito. O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou as fontes de recursos que podem financiar os acordos nas linhas de custeio e investimento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ou operadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em reunião extraordinária realizada no início da noite desta quarta (13), o CMN autorizou o uso das fontes originais de recursos para bancar as renegociações. Dessa forma, o BNDES poderá usar os próprios recursos para renegociar as dívidas de produtores rurais. No caso do Pronaf, em que o Tesouro Nacional banca os juros subsidiados, a própria União poderá financiar a revisão das dívidas.

Em nota, o Ministério da Economia informou que a decisão tem como objetivo “facilitar a operacionalização da renegociação e atender ao maior número possível de produtores rurais que tenham tido suas atividades prejudicadas por seca ou estiagem”.

Até agora, essas renegociações podiam ser financiadas apenas com fontes livres de recursos, o que na prática estava travando os acordos. Isso porque os bancos tinham de buscar no mercado empresas dispostas a financiar o reparcelamento das dívidas.

A renegociação de dívidas de agricultores e pecuaristas havia sido autorizada pelo Conselho Monetário Nacional no início de abril. No caso dos produtores afetados pela seca, podem ser refinanciadas as dívidas vencidas ou que vão vencer entre 1º de janeiro e 30 de dezembro de 2020, contratadas por produtores rurais e pelas cooperativas singulares de produção agropecuária.

O prazo de reembolso para operações de custeio será de sete anos e, no caso de operações de custeio prorrogado e de investimento, o prazo será de até um ano após o vencimento do contrato vigente.

*Agência Brasil

69% dos municípios gaúchos decretam situação de emergência em razão da estiagem

Previsão do tempo para os próximos meses é de pouca chuva para o RS

A falta de chuva no Rio Grande do Sul vem fazendo com que cada vez mais municípios decretem situação de emergência. Segundo o boletim informativo divulgado pela Defesa Civil no último sábado (02) já são 346 municípios que enfrentam este cenário por conta da estiagem, o equivalente a 69% das cidades gaúchas. Outras 13 prefeituras inseriram informações no sistema do órgão e podem efetuar decretos nos próximos dias. Assim, seriam 359 municípios que notificaram ocorrências pela falta de chuva, o equivalente a sete em cada 10 cidades no Estado. A Defesa Civil afirma que o Estado está em uma situação preocupante e que pode se agravar se não chover nas próximas semanas.

A previsão para a semana é de chuvas esparsas pelas regiões Oeste e Norte, mas que não devem diminuir os efeitos da seca. O professor de Geociências e especialista em Climatologia e Mudanças Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Francisco Eliseu Aquino, afirma que as projeções meteorológicas para os próximos meses são de uma manutenção do quadro.

— Tivemos nos últimos meses entradas de frentes frias no Estado, mas sem a ocorrência de chuva. Infelizmente, esse quadro vai seguir, pelo que observamos nas projeções. Não teremos uma normalização antes dos próximos três meses — afirmou o especialista em entrevista ao Faixa Especial.

De acordo com a Defesa Civil, as últimas cidades que realizaram decreto de emergência foram: Alto Feliz, Carlos Barbosa, Cristal do Sul, Erval Seco, Morro Reuter, São Sebastião do Sul, São Pedro do Serra e São José das Missões.

Dos 346 municípios, 241 tiveram o decreto homologado pelo governo do Estado, e outros 216 tiveram o decreto reconhecido.

De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, os rios Uruguai, Camaquã e Taquari registram os níveis mais baixos desde o início das medições, há trinta anos. No momento, todas as 25 bacias hidrográficas têm baixa disponibilidade hídrica.

 

Fonte ZH

Agricultores gaúchos devem perder R$ 15,48 bilhões com quebra na safra de grãos

Cifra calculada pela Fecoagro-RS corresponde ao valor bruto da produção (VBP) que deixará de ser faturado com soja e milho

Foto: Acervo pessoal

Na reta final da colheita da soja, o produtor Artêmio Wagner ainda faz as contas do prejuízo que terá nesta safra. A estiagem derrubou a produtividade de suas lavouras em Lagoa dos Três Cantos, no norte do Rio Grande do Sul, para aproximadamente 20 sacas por hectare. Em condições normais, cada um dos seus cem hectares da oleaginosa atingiria média de 70 sacas. Wagner considera esta uma das piores safras que já vivenciou em quase 50 anos de trabalho na agricultura.

As contas não vão fechar. Para cobrir os custos, seriam necessárias pelo menos 40 sacas por hectare. Será um ano muito difícil, vamos ter que cortar gastos e tentar renegociar as parcelas dos investimentos – projeta.

Relatos como o de Wagner se acumulam em diferentes regiões do Estado, castigadas pela falta de chuva e o excesso de calor durante o verão. Com mais de 70% dos grãos da estação colhidos atualmente, o Rio Grande do Sul deverá concluir nas próximas semanas uma das menores colheitas dos últimos anos.

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) estima que a produção de soja deve chegar a 10,56 milhões de toneladas, quebra de 47,2% frente à expectativa inicial. Já o milho ficaria em 4,13 milhões de toneladas, queda de 30%. A projeção é similar à da Emater que, com base em dados coletados até 2 de abril, projeta que as perdas devem ultrapassar 40% na oleaginosa e 30% no cereal.

Levando em consideração os preços dos grãos na primeira semana de abril e o atual momento da colheita, o Estado deverá perder R$ 15,48 bilhões em valor bruto de produção (VBP), na estimativa da Fecoagro-RS. Ou seja, esse é o montante que deixaria de ser faturado dentro da porteira com a comercialização da soja e do milho.

— É riqueza que vai deixar de circular na compra de produtos e serviços. Isso tem um impacto muito forte, pois o produtor vai consumir menos — aponta Paulo Pires, presidente da Fecoagro-RS, entidade cujos associados respondem por metade da produção de soja do Estado.

Incluindo o arroz, que não foi prejudicado pelas condições climáticas, o VBP das três principais culturas gaúchas deve totalizar R$ 26,24 bilhões, tombo de 37,2% frente à colheita projetada no início do ciclo.

Impacto no PIB

Antes da estiagem, o Rio Grande do Sul tinha a expectativa de colher a maior safra de grãos da história. O diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, ressalta que agora a projeção indica a pior colheita desde 2012, ano em que o estado sofreu com a seca.

— Em quantidade produzida, a safra deste ano ainda deverá ser maior do que a de 2012. Mas 2020 é a pior safra da história do Estado, se pensarmos no que ela poderia ter sido. Com os preços valorizados que temos hoje nos grãos e colheita cheia, estaríamos dando risada com uma safra excepcional — constata Rugeri.

– A quebra na safra deverá influenciar diretamente o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul. Mesmo sem a pandemia de coronavírus, que deve levar o Brasil à recessão, o Estado já apresentaria tendência de queda no PIB em 2020 por causa do ano ruim na agricultura. Essa é a avaliação do economista-chefe da Federação da Agricultura no Estado, Antônio da Luz.

— Em 2005 e 2012, anos que o Brasil cresceu e houve estiagem no Rio Grande do Sul, o PIB gaúcho caiu. Neste ano, já deveria ocorrer isso — lembra Luz.

De acordo com dados do Departamento de Economia e Estatística (DEE), órgão do governo do Estado responsável pelo cálculo do PIB gaúcho, e do Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), em 2005 a economia gaúcha teve retração de 2,7% enquanto a brasileira cresceu 3,2%. Já em 2012, o Estado apresentou contração de 2,1% ao mesmo tempo em que o país acelerava 1,9%.

Em 2020, a pandemia intensificará o tombo da economia do Rio Grande do Sul. O governo do Estado já cogita queda de até 9% no PIB no cenário mais pessimista, em caso de paralisação das atividades por até cinco meses. No entanto, o economista do DEE Martinho Lazzari salienta que, no momento, ainda é difícil medir com exatidão quão negativo será o desempenho.

— A queda deve ser grande, mas as previsões ainda estão se adequando ao cenário. É difícil saber a extensão da crise neste momento, mas é possível esperar que os números do Estado sejam mais negativos do que os do país — aponta.

Lazzari constata que a agropecuária responde diretamente por cerca de 10% da economia gaúcha, o dobro em relação à economia brasileira. Com o impacto indireto nos serviços e na indústria, o peso da atividade é ainda maior no Estado.

 

Fonte: ZH

 

IBGE estima alta de 1,5% na safra de grãos deste ano

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve fechar o ano em 245,2 milhões de toneladas, ou seja, uma alta de 1,5% em relação ao ano anterior, informou nesta quinta (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa feita em março, apesar de ainda estimar uma alta na safra, é inferior à previsão feita em fevereiro.

A estimativa, em fevereiro, era fechar o ano com 249 milhões de toneladas ou 3,1% acima da safra de 2019. A nova previsão leva em consideração uma safra menor para a soja, maior lavoura de grãos do país.

Se em fevereiro, a expectativa era fechar 2020 com uma produção de soja 10,4% maior, em março, o IBGE reviu a previsão de crescimento para 6,4%.

Para o arroz e o milho, no entanto, a estimativa está mais otimista. A safra de arroz deve crescer 3,6% neste ano, acima do 1% previsto em fevereiro. O milho deve ter uma queda de 3,5% para o milho, abaixo do recuo de 4% previsto em fevereiro.

Entre os outros grãos com produção importante, deverão ter altas em relação a 2019 o feijão (0,5%) e o sorgo (3,7%). O algodão herbáceo em caroço deve ter queda de 2,1%, enquanto a produção de trigo deve recuar 6,5%.

Entre os produtos que são calculados à parte (e não entram no total da safra de 245,2 milhões de toneladas), destacam-se, em relação a 2019, as altas previstas do café (15,4%), laranja (4,4%), cana-de-açúcar (0,8%), mandioca (0,7%) e uva (0,4%) e as quedas da batata (-1,5%), banana (-3,6%) e tomate (-6,9%).

 

*Agência Brasil

Metade de calorias consumidas por brasileiros vem de alimentos frescos

Dados foram divulgados pelo IBGE

 (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Cerca de metade (49,5%) das calorias totais disponíveis para consumo nos domicílios brasileiros é oriunda de alimentos in natura ou minimamente processados, 22,3% de ingredientes culinários processados, 9,8% de alimentos processados e 18,4% de alimentos ultra processados. Estima-se que o consumo de alimentos em casa corresponda a, pelo menos, 70% do total de calorias ingeridas pela população brasileira.

Os dados constam da Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF 2017-2018: Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil, divulgada hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Evidencia-se, assim, uma predominância de padrões de consumo alimentar baseados em alimentos frescos e em preparações culinárias”, afirma o órgão.

Segundo o levantamento, nas regiões Norte e Nordeste, no meio rural e entre famílias com menor renda, a participação de alimentos in natura ou minimamente processados e de ingredientes culinários foi ainda mais elevada, ultrapassando três quartos da disponibilidade domiciliar de alimentos.

O estudo indica que nas regiões Sul e Sudeste e entre famílias com maior renda, ainda que alimentos in natura ou minimamente processados e ingredientes culinários predominem, alimentos ultraprocessados já representam mais de um quinto das calorias ingeridas em casa. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, alimentos ultraprocessados correspondem, respectivamente, a 11,4%, 14,4% e 16,6% do total de calorias.

“A evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil, de 2002 a 2018, indica que alimentos in natura ou minimamente processados e ingredientes culinários processados, apesar de ainda serem predominantes, vêm perdendo espaço para alimentos processados e, especialmente, para alimentos ultraprocessados”, diz a pesquisa.

O acúmulo de tarefas dentro de casa e a falta de tempo levaram a confeiteira Patrícia Araújo a comprar mais produtos industrializados pela facilidade de estarem prontos para o consumo. Moradora de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, e mãe de dois filhos de 5 e 3 anos, ela conta que, até ter o segundo filho, a família tinha uma alimentação mais saudável. “A industrialização ajudou a dona de casa. Não é o melhor produto a ser consumido, mas é o que dá para fazer”.

No entanto, a pesquisa também indica que, apesar de a participação de alimentos ultraprocessados dentro das casas ter aumentado continuamente, observou-se desaceleração dessa tendência: aumento anual de 0,6 ponto percentual na porcentagem de calorias provenientes de ultraprocessados entre 2002-2003 e 2008-2009 e de 0,3 ponto percentual entre 2008-2009 e 2017-2018.

O IBGE avalia que essa desaceleração no consumo de ultraprocessados, observada no meio urbano e rural e em todas as regiões e estratos de renda, pode ser o resultado de políticas públicas implementadas no período mais recente, com destaque para ações baseadas no Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, “cuja regra de ouro recomenda basear a alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados e suas preparações culinárias e evitar alimentos ultraprocessados”.

Alimentos in natura e minimamente processados

Segundo o levantamento, dentre os alimentos in natura e minimamente processados, o arroz correspondeu a 15,6% das calorias totais, vindo, a seguir, com 5%, o leite, com 4,6%, as carnes de aves e, com 4,3%, o feijão. “Ainda relevantes na alimentação brasileira, aparecem a carne bovina (3,4% das calorias totais), as frutas (2,8%), o macarrão (2,7%), a farinha de milho, fubá e outras (2%), a farinha de mandioca (1,9%), a farinha de trigo (1,8%) e as raízes e tubérculos (1,2%). Verduras e legumes e ovos corresponderam a apenas 0,9% das calorias totais”, diz a pesquisa.

Dentre os ingredientes culinários processados, o óleo vegetal correspondeu a quase 11% das calorias totais, seguido pelo açúcar, com quase 10%.

Segundo o analista do IBGE, José Mauro de Freitas Júnior, houve, na média nacional, queda do consumo do arroz e feijão na casa dos brasileiros.”Mas o arroz e feijão está mais presente entre as famílias de menor rendimento”, disse. “Por outro lado, as pessoas estão comendo mais frutas”.

Ele também observa que a Região Norte tem uma média de aquisição de pescados maior que as outras regiões. Já no Nordeste, o consumo de carne nos domicílios é menor do que a média nacional.

O pesquisador também destaca a queda no consumo de carne de uma forma geral dentro de casa. “Existe uma tendência de substituição da carne. Tem um fator econômico, o aumento de preço da carne, mas não é só isso. Há também mudanças nos hábitos alimentares”.

Alimentos processados e ultraprocessados

De acordo com o IBGE, dentre os alimentos processados, o de maior contribuição para as calorias totais foi o pão (6,7% das calorias totais), seguido de queijos (1,4%), carnes salgadas, secas ou defumadas (0,7%) e bebidas alcoólicas fermentadas (0,7%).

“Finalmente, dentre os alimentos ultraprocessados, destacam-se frios e embutidos (2,5% das calorias totais), biscoitos e doces (2,1%), biscoitos salgados (1,8%), margarina (1,8%), bolos e tortas doces (1,5%), pães (1,3%), doces em geral (1,3%), bebidas adoçadas carbonatadas (1,2%) e chocolate (1%)”, afirma a pesquisa.

Ainda segundo o estudo, no que se refere à aquisição alimentar domiciliar per capita anual no Brasil em 2017-2018, destacam-se os seguintes grupos de alimentos: bebidas e infusões (52,475 kg), laticínios (32,211 kg), cereais e leguminosas (27,757 kg), frutas (26,414 kg), hortaliças (23,775 kg) e carnes (20,762 kg)

*Colaborou Tâmara Freire, Repórter da Rádio Nacional.

Emater/RS-Ascar atualiza estimativa de perdas pela estiagem da safra de soja e milho

Em caráter excepcional, por solicitação da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a Emater/RS-Ascar divulga, nesta quarta-feira (11/3), uma atualização da estimativa de perdas na produtividade, em relação aos dados inicialmente divulgados em agosto do ano passado, das culturas de soja (-32,3%) e milho (-26,3%) da safra 2019/2020.

Esses dados são referentes ao retrato da situação até a última segunda-feira (9/3), e não a uma projeção para o resultado após a safra. “A estiagem persiste, e esses números podem aumentar”, afirma o diretor técnico Alencar Ruger. Ele destaca ainda que o levantamento apresenta perdas de até 75% em alguns municípios, mas o dado refere-se a uma média estadual.

O presidente da instituição, Geraldo Sandri, ressalta que o monitoramento das lavouras é acompanhado periodicamente e não há previsão de uma nova divulgação de dados antes da conclusão da colheita.

SOJA
Estimativa produtividade média (kg/ha)
• Inicial: 3.315
• Atual: 2.245
• Variação: -32,3%

Estimativa produção (ton)
• Inicial: 19,7 milhões
• Atual: 13,3 milhões
• Variação: -32,2%

MILHO
Estimativa produtividade média (kg/ha)
• Inicial: 7.710
• Atual: 5.679
• Variação: -26,3%

Estimativa produção (ton)
• Inicial: 5,9 milhões
• Atual: 4,4 milhões
• Variação: -25,2%

 

* SECOM

À espera da chuva, produtores de soja do Rio Grande do Sul amargam prejuízos

Quebra de safra no estado gira em torno de 16% até o momento e poderá ser ainda pior

No Rio Grande do Sul, os produtores de soja estão preocupados. Isso porque a estiagem prejudicou o desenvolvimento das lavouras.

Segundo estimativa da Emater, divulgada essa semana, o estado deve colher cerca de 16,5 milhões de toneladas de soja, queda de 16% do que o esperado no início da temporada.

Os produtores gaúchos estão agora de olho no céu. Se chover nos próximos dias, a soja da área semeada mais tarde não vai sofrer tanto quanto a soja das lavouras precoces. Caso contrário, as perdas serão ainda maiores.

Só que a notícia não é boa para o produtores Rio Grande do Sul. Segundo meteorologistas, não tem previsão de chuva para os próximos dias.

*G1 RS / Globo Rural

Setrem realiza Dia de Campo sobre Culturas de Verão em 13 de março

Evento é gratuito e inicia às 13h30min

Foto: EDUARDO ERTHAL/ASSESSORIA SETREM

Na sexta-feira, 13 de março, acontece o Dia de Campo Culturas de Verão, na Área Experimental do Campus Setrem. Estudantes, técnicos, engenheiros agrônomos e produtores rurais estão convidados a participar do evento, que é gratuito. As inscrições são realizadas no local, a partir das 13h30min. As visitas iniciam às 14h.

A edição contará com cinco estações. Entre os temas que serão apresentados estão a produção de soja na integração lavoura-pecuária, orientações de quando fazer a primeira aplicação de fungicida em soja, demanda nutricional em soja, análise foliar e recomendações; bem como materiais genéticos de empresas do setor agrícola.

Confira a programação completa:

Estação 1 – Materiais genéticos

EMBRAPA – FUNDAÇÃO PRÓ-SEMENTES – LIMAGRAIN – GIOVELI – NIDERA – PIONNER

Estação 2 – Materiais genéticos

AGROESTE – TMG – ADVANTA – BRASMAX – NEOGEN

Estação 3 – Produção de soja na integração lavoura-pecuária

Rodrigo Pizzani – Setrem

Estação 4 – Quando fazer a 1ª aplicação de fungicida em soja?

Leila Maria Costamilan – Pesquisadora Embrapa Trigo

Estação 5 – Demanda nutricional em soja, análise foliar e recomendações

Paulo André Klarmann – Setrem

O Dia de Campo Culturas de Verão é uma realização da Setrem, por meio dos cursos Técnico em Agropecuária e Bacharelado em Agronomia, em parceria com Cotrimaio, Sicredi, Emater/RS-Ascar, Sindicato Rural e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três de Maio e São José do Inhacorá, com apoio das empresas Embrapa, Fundação Pró-Sementes, Limagrain, Gioveli, Nidera, Pionner, Agroeste, TMG, Advanta, Brasmax e Neogen.

 

*SETREM

Manejo correto do solo reduz as perdas

Produtores rurais teriam que se preocupar mais com conservação, afirmam secretário estadual e professora da Ufrgs

Foto: Mauro Schaefer

Os produtores rurais do Rio Grande do Sul poderiam obter um rendimento melhor de suas lavouras se fizessem o manejo correto do solo e de seus recursos hídricos. Poderiam, inclusive, ter perdas entre 20% e 25% menores na situação atual de estiagem e iminência de seca, se investissem no conhecimento para conservar e tornar seus terrenos mais estabilizados. O assunto foi tratado nessa terça-feira durante o 5º Fórum Estadual de Conservação do Solo e da Água, que lotou o auditório central do Parque de Exposições da Cotrijal, no segundo dia da 21ª Expodireto.

O evento foi aberto pelo secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho, que destacou à plateia o interesse que o governo tem no tema, desde a administração anterior. “Neste momento de crise hídrica, é interessante ver a presença do produtor neste evento. O manejo e a conservação correta da terra podem minimizar em muito os efeitos como os que estamos vendo neste momento. Incentivamos e continuaremos a incentivar a capacitação do produtor nesta direção”, salientou.

Um dos destaques do fórum, que teve a participação de técnicos da Embrapa e da academia, foi a palestra da professora Amanda Posselt Martins, da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), que abordou “A Correção do Solo em Áreas de Plantio Direto”. Amanda pontuou as práticas que o produtor precisa adotar para diminuir os riscos de esgotamento do solo, entre as quais a principal seria a calagem. Segundo a professora, a aplicação de cálcio e magnésio, a neutralização do alumínio fitotóxico, o aumento da disponibilidade de macro e micronutrientes e o uso de matéria orgânica favorecem um solo mais rico, com melhor produtividade.

“Infelizmente, o que ainda se observa na maioria das propriedades que utilizam o plantio direto é que as recomendações de manejo são pouco praticadas. O produtor se limita muitas vezes a fazer o mínimo, que é revolver o solo com moderação”, disse Amanda. De acordo com a professora, é preciso que o agricultor entenda que a prática conservacionista dos terrenos contribui de maneira determinante para mitigar os efeitos do clima sobre as plantações, uma vez que um solo rico gera plantas mais robustas e resistentes, ao contrário das lavouras “sofridas” como as que se observa na estiagem. “É um investimento de longo prazo a conservação do solo, isto é o que produtor precisa entender”, concluiu.

A promoção do Fórum foi da Cotrijal, da Secretaria de Agricultura, da Emater, da Embrapa Trigo, da CCGL e do Grupo Gestor do Programa Estadual de Conservação do Solo e da Água, entre outras entidades.

*CP

Metade das lavouras de milho do Estado estão colhidas

 

Foto: Carine Massierer

O milho segue na fase predominante de colheita no Rio Grande do Sul, atingindo 50% das áreas cultivadas já colhidas. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado, ontem (27/02), pela Emater/RS-Ascar em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a cultura tem apresentado boa produtividade e boa qualidade do grão. As lavouras no Estado encontram-se 7% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 8% em floração, 18% em enchimento de grãos e 17% maduro, pronto para colher.

Teve início a colheita da soja que está com 2% das áreas plantadas já colhidas. A cultura está 4% em fase de desenvolvimento vegetativo, 19% em floração, 59% na fase de enchimento de grãos e 16% maduro, e 2%. As lavouras de arroz no Estado se beneficiando com as temperaturas quentes e a elevada taxa de radiação solar, associadas à disponibilidade de água para as plantas. Tais fatores indicam bom rendimento na ocasião da colheita. A fase é de germinação/desenvolvimento vegetativo em 4% da área com a cultura, em 28% é de floração, 37% em enchimento de grãos, 26% em maturação e 5% foram colhidos.

Na região de Soledade, a colheita do feijão primeira safra foi concluída nos cerca de 4,1 mil hectares cultivados. A produtividade média alcançou 1,1 toneladas por hectare. Apesar do período com restrição hídrica em grande parte do ciclo da cultura, a produtividade média final e a qualidade do grão são consideradas satisfatórias. E o plantio do feijão segunda safra avança na regional de Frederico Westphalen, chegando a 90% da área semeada, prevista em sete mil hectares; 100% das lavouras estão em estágio de germinação e desenvolvimento vegetativo.

OLERÍCOLAS

A cultura da cebola está na entressafra. Na regional de Passo Fundo, produtores comercializam o estoque armazenado na propriedade; no entanto, há registro de perdas mais acentuadas em virtude de podridões de pós-colheita.

Na regional de Passo Fundo, a cultura do alho também se encontra na entressafra. Produtores realizam a comercialização da produção nos mercados regionais.

Na regional de Caxias do Sul, segue a colheita do tomate. De modo geral, a cultura foi favorecida pelas condições de tempo. A temperatura um pouco mais amena reduz o abortamento floral e a boa sanidade dos cultivos deve-se à baixa precipitação que, aliada ao manejo adequado da irrigação, produz pouco molhamento das folhas, principal foco de entrada de doenças bacterianas.

HORTIGRANJEIROS

Na regional de Lajeado, com 40 hectares de cultivo em Feliz, a cultura da batata doce ainda manifesta reflexos da estiagem, que dificultou o transplantio das mudas entre dezembro e janeiro. Nas áreas prontas para a colheita, o tamanho dos tubérculos é satisfatório, adequado ao padrão de comercialização.

No Litoral Norte, que integra o regional de Porto Alegre, o tamanho das espigas de milho verde foi prejudicado em algumas áreas em decorrência da seca. Em Torres, as lavouras foram atingidas severamente pela estiagem. Porém, a produção das regiões próximas das encostas vem suprindo a demanda de abastecimento dos pontos de venda na praia, supermercados e fruteiras. A colheita é intensa.

FRUTÍCOLAS

Na regional da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, a colheita do pêssego está praticamente encerrada; produtores manejam a pós-colheita dos pomares para controle das doenças de final de ciclo e da ocorrência de brocas.

Na regional de Caxias do Sul, a maçã está em fase de maturação e colheita da cultivar Gala e seus clones. A semana foi marcada por intenso trabalho dos técnicos na elaboração dos laudos finais de Proagro, em virtude da estiagem. Na variedade Fuji e seus clones, o estágio é de desenvolvimento e crescimento de frutos. O estado fitossanitário é bom, sem ocorrência de danos aparentes por pragas ou doenças.

Na regional de Caxias do Sul, a semana foi marcada por intenso movimento na colheita, principalmente da variedade Isabel, a mais cultivada na Serra; destaque para a qualidade do produto, principalmente no que se refere à doçura; a Isabel apresenta média de 16° Babo. Entre as variedades viníferas, são colhidas a Merlot, com média de 18° Babo e a Moscato Giallo, com 17° Babo.

PASTAGENS, BOVINO E OVINOCULTURA

A distribuição irregular das chuvas ocasionou situações diferenciadas nas diversas regiões do Estado e em diferentes áreas de pastagens destinadas à criação de animais, dentro da mesma região.

Na maior parte das regiões, os rebanhos bovinos de corte, de uma forma geral, apresentam estado corporal de satisfatório a bom. As regiões de Porto Alegre, Pelotas e Soledade são as que têm maior número de propriedades com relato de ocorrência de perda de peso nos animais.

Em todo Estado, predomina uma boa condição corporal no gado leiteiro, mas registram-se alguns casos de perda de peso nas vacas, afetando a produção de leite, especialmente na região de Pelotas. No manejo sanitário, especial atenção é dedicada ao controle de verminoses e infestações por carrapato e mosca-do-chifre. Na maior parte do Estado, a produção leiteira se mantém estável, sendo que nas regiões de Porto Alegre, Pelotas e Santa Maria os níveis de produção estão abaixo das médias da estação registradas em anos anteriores.

Os rebanhos ovinos do Estado apresentam bom estado físico e sanitário. A temporada de cobertura das matrizes está encerrando nas propriedades que iniciam esse manejo reprodutivo em janeiro.

APICULTURA, PISCICULTURA E PESCA ARTESANAL

A semana transcorreu com clima favorável para uma intensa atividade das colmeias e para execução das práticas de manejo dos apiários. Na maior parte das regiões, os açudes apresentam nível de água satisfatório, sem comprometer o desenvolvimento dos peixes.

Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, no rio Uruguai, a captura de espécies de peixes sem escamas foi predominante durante a semana. Nas regiões de Porto Alegre e Pelotas, a pesca artesanal marinha e em estuários de água doce ocorre normalmente, com captura satisfatória de pescado. Na Lagoa dos Patos, houve uma redução nos volumes de captura do Camarão.

Por: Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar