Governo encaminha repasse de R$ 102 milhões para Emater/RS-Ascar

A solicitação de empenho de R$ 102 milhões para a contratação de prestação de serviço com a Emater/RS-Ascar para o segundo semestre deste ano foi ordenada ontem (6/8) pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr). A medida garante a continuidade dos trabalhos de assistência técnica e extensão rural para mais de 250 mil famílias de pequenos agricultores.

“Resolvemos um imbróglio que já se estendia por muitos anos e envolvia inclusive pontos sobre a natureza jurídica da Emater. Agora, estamos liberando os recursos necessários para dar continuidade a esse serviço tão essencial e importante para a agricultura familiar gaúcha”, ressalta o secretário Covatti Filho.

Em julho deste ano, por recomendação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), houve alteração no regime de contratação da Emater, que passou a ser por dispensa de licitação, sem a necessidade de alterar a sua natureza jurídica. No primeiro ano do novo vínculo, com validade até julho de 2021, serão repassados R$ 195 milhões para viabilizar a prestação de serviços.

“Fizemos um esforço enorme para garantir a sobrevivência da Emater. Encaminhamos a solução jurídica da contratação mediante parecer da PGE, oportunizando segurança para os seus funcionários estarem dentro das propriedades, ao lado do produtor”, comemora Covatti.

O ato de assinatura do empenho contou com a presença do presidente da Emater, Geraldo Sandri, o diretor técnico, Alencar Rugeri, o presidente do Conselho da Emater, Erli Teixeira, e o titular adjunto da Seapdr, Luiz Fernando Rodrigues.

Texto: Ascom Seapdr

Prazo para entrega da declaração anual de rebanho é prorrogado, informa Secretaria da Agricultura

Entrega da declaração pode ser feita até 31 de outubro

Foto: Fernando Dias/Ascom Seapdr

A  Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural publicou instrução normativa no Diário Oficial do Estado de segunda-feira (13/7) estabelecendo novo prazo para entrega da declaração anual de rebanho: 31 de outubro. O formulário a ser preenchido e entregue está disponível neste link.

A prorrogação é necessária por causa da pandemia de Covid-19. Para o ano que vem, a secretaria terá uma estratégia estruturada e outros prazos, de forma a manter o cadastro dentro das necessidades.

As inspetorias de defesa agropecuária vêm trabalhando para restringir o contato pessoal, com escalonamento de servidores e atendimento remoto por e-mail ou WhatsApp. A orientação é que os produtores deem preferência a entregar as declarações de rebanho às suas inspetorias locais por esses meios eletrônicos. Os e-mails das IDAs podem ser consultados aqui. O número de WhatsApp de cada inspetoria é o mesmo do telefone fixo.

Texto: Ascom Seapdr
Edição: Secom

Estudo de cultivar de soja identifica diferença de até 38 sacos por hectare em uma mesma localidade

Pesquisa foi detalhada pela Fundação Pró-Sementes, Sistema Farsul e Bayer e apontou desempenho de 39 cultivares em oito locais
O estudo das cultivares de soja da safra 2019/2020, divulgado ontem (07/07) pelo Sistema Farsul e Fundação Pró-Sementes, permitiu identificar quais sementes produziram melhores resultados em condições climáticas adversas no Rio Grande do Sul. A pesquisa, que analisa o desempenho de 39 cultivares em oito locais de três microrregiões sojícolas, é uma ferramenta para que os produtores possam escolher a variedade com o desenvolvimento mais adequado para a sua situação de plantio, evitando perdas de produtividade. Foram avaliados dois períodos distintos de semeadura.
De acordo com o levantamento, a maior diferença de produtividade entre cultivares em uma mesma região ficou em 38 sacos por hectare. O resultado foi observado em Vacaria, local que alcançou os melhores índices do estudo. Isso significa que um produtor que opta pela cultivar mais produtiva ganharia R$ 3.610,00 a mais por hectare do que aquele que optasse pela variedade de pior desempenho para aquele local.
As condições climáticas da safra 2019/2020 causaram uma grande amplitude nos resultados obtidos. A região de Vacaria chegou a registrar 108 sacos por hectare, enquanto outros locais, como São Gabriel, não chegaram a obter mais do que 42 sacos por hectare. Isso se deve às variações, como excesso de chuva em outubro, que propiciou o desenvolvimento de doenças fúngicas, e estiagem em dezembro e de fevereiro a maio.
Segundo a coordenadora de pesquisa da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl, embora os resultados da última safra tenham sido inferiores de uma forma geral em comparação com a média dos últimos anos devido a fatores climáticos, o estudo forneceu informações importantes: “foi uma oportunidade para avaliar o desempenho das cultivares, tanto em termos produtivos quanto ao comportamento frente a doenças fúngicas relacionadas ao solo, e desenvolvimento frente a altas temperaturas e estresse hídrico. Para quem pretende usar o estudo como ferramenta, é importante ressaltar que não basta ao produtor observar a cultivar que obteve a maior produtividade na sua localidade. É necessário analisar quais as sementes apresentaram um desempenho consistente na região, para ampliar as chances de obter um resultado favorável com o plantio”, avisa.
O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, destaca que o estudo se torna ainda mais relevante em um cenário de dificuldades e perdas em função do clima: “Com os preços de soja que temos agora, se tivéssemos tido uma safra cheia o produtor rural estaria satisfeito. Infelizmente, não tivemos. Precisamos de mais segurança e este trabalho contribui com informações importantes para tomada de decisão, numa realidade em que temos um estado com cenários bem distintos”, afirma.
O superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, afirma que o estudo está em sintonia com a missão do Senar-RS de levar as principais inovações tecnológicas ao conhecimento do produtor rural e orientá-lo na transformação das informações em produtividade e rentabilidade: “Não existe tecnologia ruim, mas existe tecnologia mal aplicada. É a oportunidade de os produtores terem acesso à melhor tecnologia, que é aquela que funciona na sua realidade, tendo como base critérios técnicos e científicos”, ressalta.
O estudo é uma realização da Farsul e Fundação Pró-Sementes, e contou com o patrocínio do Senar-RS e da Bayer. Ele pode ser acessado endereço neste link . A Farsul distribuirá ainda aos Sindicatos Rurais a publicação impressa dos resultados a cada safra.
Fonte: Farsul

CMN facilita renegociação de dívidas de produtores rurais

Conselho amplia fonte de recursos para destravar acordos

Os produtores e as cooperativas rurais que tiveram prejuízos provocados pela seca ou pela estiagem no início do ano ganharam um estímulo para renegociarem as dívidas com operações de crédito. O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou as fontes de recursos que podem financiar os acordos nas linhas de custeio e investimento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ou operadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em reunião extraordinária realizada no início da noite desta quarta (13), o CMN autorizou o uso das fontes originais de recursos para bancar as renegociações. Dessa forma, o BNDES poderá usar os próprios recursos para renegociar as dívidas de produtores rurais. No caso do Pronaf, em que o Tesouro Nacional banca os juros subsidiados, a própria União poderá financiar a revisão das dívidas.

Em nota, o Ministério da Economia informou que a decisão tem como objetivo “facilitar a operacionalização da renegociação e atender ao maior número possível de produtores rurais que tenham tido suas atividades prejudicadas por seca ou estiagem”.

Até agora, essas renegociações podiam ser financiadas apenas com fontes livres de recursos, o que na prática estava travando os acordos. Isso porque os bancos tinham de buscar no mercado empresas dispostas a financiar o reparcelamento das dívidas.

A renegociação de dívidas de agricultores e pecuaristas havia sido autorizada pelo Conselho Monetário Nacional no início de abril. No caso dos produtores afetados pela seca, podem ser refinanciadas as dívidas vencidas ou que vão vencer entre 1º de janeiro e 30 de dezembro de 2020, contratadas por produtores rurais e pelas cooperativas singulares de produção agropecuária.

O prazo de reembolso para operações de custeio será de sete anos e, no caso de operações de custeio prorrogado e de investimento, o prazo será de até um ano após o vencimento do contrato vigente.

*Agência Brasil

69% dos municípios gaúchos decretam situação de emergência em razão da estiagem

Previsão do tempo para os próximos meses é de pouca chuva para o RS

A falta de chuva no Rio Grande do Sul vem fazendo com que cada vez mais municípios decretem situação de emergência. Segundo o boletim informativo divulgado pela Defesa Civil no último sábado (02) já são 346 municípios que enfrentam este cenário por conta da estiagem, o equivalente a 69% das cidades gaúchas. Outras 13 prefeituras inseriram informações no sistema do órgão e podem efetuar decretos nos próximos dias. Assim, seriam 359 municípios que notificaram ocorrências pela falta de chuva, o equivalente a sete em cada 10 cidades no Estado. A Defesa Civil afirma que o Estado está em uma situação preocupante e que pode se agravar se não chover nas próximas semanas.

A previsão para a semana é de chuvas esparsas pelas regiões Oeste e Norte, mas que não devem diminuir os efeitos da seca. O professor de Geociências e especialista em Climatologia e Mudanças Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Francisco Eliseu Aquino, afirma que as projeções meteorológicas para os próximos meses são de uma manutenção do quadro.

— Tivemos nos últimos meses entradas de frentes frias no Estado, mas sem a ocorrência de chuva. Infelizmente, esse quadro vai seguir, pelo que observamos nas projeções. Não teremos uma normalização antes dos próximos três meses — afirmou o especialista em entrevista ao Faixa Especial.

De acordo com a Defesa Civil, as últimas cidades que realizaram decreto de emergência foram: Alto Feliz, Carlos Barbosa, Cristal do Sul, Erval Seco, Morro Reuter, São Sebastião do Sul, São Pedro do Serra e São José das Missões.

Dos 346 municípios, 241 tiveram o decreto homologado pelo governo do Estado, e outros 216 tiveram o decreto reconhecido.

De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, os rios Uruguai, Camaquã e Taquari registram os níveis mais baixos desde o início das medições, há trinta anos. No momento, todas as 25 bacias hidrográficas têm baixa disponibilidade hídrica.

 

Fonte ZH

Agricultores gaúchos devem perder R$ 15,48 bilhões com quebra na safra de grãos

Cifra calculada pela Fecoagro-RS corresponde ao valor bruto da produção (VBP) que deixará de ser faturado com soja e milho

Foto: Acervo pessoal

Na reta final da colheita da soja, o produtor Artêmio Wagner ainda faz as contas do prejuízo que terá nesta safra. A estiagem derrubou a produtividade de suas lavouras em Lagoa dos Três Cantos, no norte do Rio Grande do Sul, para aproximadamente 20 sacas por hectare. Em condições normais, cada um dos seus cem hectares da oleaginosa atingiria média de 70 sacas. Wagner considera esta uma das piores safras que já vivenciou em quase 50 anos de trabalho na agricultura.

As contas não vão fechar. Para cobrir os custos, seriam necessárias pelo menos 40 sacas por hectare. Será um ano muito difícil, vamos ter que cortar gastos e tentar renegociar as parcelas dos investimentos – projeta.

Relatos como o de Wagner se acumulam em diferentes regiões do Estado, castigadas pela falta de chuva e o excesso de calor durante o verão. Com mais de 70% dos grãos da estação colhidos atualmente, o Rio Grande do Sul deverá concluir nas próximas semanas uma das menores colheitas dos últimos anos.

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) estima que a produção de soja deve chegar a 10,56 milhões de toneladas, quebra de 47,2% frente à expectativa inicial. Já o milho ficaria em 4,13 milhões de toneladas, queda de 30%. A projeção é similar à da Emater que, com base em dados coletados até 2 de abril, projeta que as perdas devem ultrapassar 40% na oleaginosa e 30% no cereal.

Levando em consideração os preços dos grãos na primeira semana de abril e o atual momento da colheita, o Estado deverá perder R$ 15,48 bilhões em valor bruto de produção (VBP), na estimativa da Fecoagro-RS. Ou seja, esse é o montante que deixaria de ser faturado dentro da porteira com a comercialização da soja e do milho.

— É riqueza que vai deixar de circular na compra de produtos e serviços. Isso tem um impacto muito forte, pois o produtor vai consumir menos — aponta Paulo Pires, presidente da Fecoagro-RS, entidade cujos associados respondem por metade da produção de soja do Estado.

Incluindo o arroz, que não foi prejudicado pelas condições climáticas, o VBP das três principais culturas gaúchas deve totalizar R$ 26,24 bilhões, tombo de 37,2% frente à colheita projetada no início do ciclo.

Impacto no PIB

Antes da estiagem, o Rio Grande do Sul tinha a expectativa de colher a maior safra de grãos da história. O diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, ressalta que agora a projeção indica a pior colheita desde 2012, ano em que o estado sofreu com a seca.

— Em quantidade produzida, a safra deste ano ainda deverá ser maior do que a de 2012. Mas 2020 é a pior safra da história do Estado, se pensarmos no que ela poderia ter sido. Com os preços valorizados que temos hoje nos grãos e colheita cheia, estaríamos dando risada com uma safra excepcional — constata Rugeri.

– A quebra na safra deverá influenciar diretamente o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul. Mesmo sem a pandemia de coronavírus, que deve levar o Brasil à recessão, o Estado já apresentaria tendência de queda no PIB em 2020 por causa do ano ruim na agricultura. Essa é a avaliação do economista-chefe da Federação da Agricultura no Estado, Antônio da Luz.

— Em 2005 e 2012, anos que o Brasil cresceu e houve estiagem no Rio Grande do Sul, o PIB gaúcho caiu. Neste ano, já deveria ocorrer isso — lembra Luz.

De acordo com dados do Departamento de Economia e Estatística (DEE), órgão do governo do Estado responsável pelo cálculo do PIB gaúcho, e do Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), em 2005 a economia gaúcha teve retração de 2,7% enquanto a brasileira cresceu 3,2%. Já em 2012, o Estado apresentou contração de 2,1% ao mesmo tempo em que o país acelerava 1,9%.

Em 2020, a pandemia intensificará o tombo da economia do Rio Grande do Sul. O governo do Estado já cogita queda de até 9% no PIB no cenário mais pessimista, em caso de paralisação das atividades por até cinco meses. No entanto, o economista do DEE Martinho Lazzari salienta que, no momento, ainda é difícil medir com exatidão quão negativo será o desempenho.

— A queda deve ser grande, mas as previsões ainda estão se adequando ao cenário. É difícil saber a extensão da crise neste momento, mas é possível esperar que os números do Estado sejam mais negativos do que os do país — aponta.

Lazzari constata que a agropecuária responde diretamente por cerca de 10% da economia gaúcha, o dobro em relação à economia brasileira. Com o impacto indireto nos serviços e na indústria, o peso da atividade é ainda maior no Estado.

 

Fonte: ZH

 

IBGE estima alta de 1,5% na safra de grãos deste ano

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve fechar o ano em 245,2 milhões de toneladas, ou seja, uma alta de 1,5% em relação ao ano anterior, informou nesta quinta (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa feita em março, apesar de ainda estimar uma alta na safra, é inferior à previsão feita em fevereiro.

A estimativa, em fevereiro, era fechar o ano com 249 milhões de toneladas ou 3,1% acima da safra de 2019. A nova previsão leva em consideração uma safra menor para a soja, maior lavoura de grãos do país.

Se em fevereiro, a expectativa era fechar 2020 com uma produção de soja 10,4% maior, em março, o IBGE reviu a previsão de crescimento para 6,4%.

Para o arroz e o milho, no entanto, a estimativa está mais otimista. A safra de arroz deve crescer 3,6% neste ano, acima do 1% previsto em fevereiro. O milho deve ter uma queda de 3,5% para o milho, abaixo do recuo de 4% previsto em fevereiro.

Entre os outros grãos com produção importante, deverão ter altas em relação a 2019 o feijão (0,5%) e o sorgo (3,7%). O algodão herbáceo em caroço deve ter queda de 2,1%, enquanto a produção de trigo deve recuar 6,5%.

Entre os produtos que são calculados à parte (e não entram no total da safra de 245,2 milhões de toneladas), destacam-se, em relação a 2019, as altas previstas do café (15,4%), laranja (4,4%), cana-de-açúcar (0,8%), mandioca (0,7%) e uva (0,4%) e as quedas da batata (-1,5%), banana (-3,6%) e tomate (-6,9%).

 

*Agência Brasil

Metade de calorias consumidas por brasileiros vem de alimentos frescos

Dados foram divulgados pelo IBGE

 (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Cerca de metade (49,5%) das calorias totais disponíveis para consumo nos domicílios brasileiros é oriunda de alimentos in natura ou minimamente processados, 22,3% de ingredientes culinários processados, 9,8% de alimentos processados e 18,4% de alimentos ultra processados. Estima-se que o consumo de alimentos em casa corresponda a, pelo menos, 70% do total de calorias ingeridas pela população brasileira.

Os dados constam da Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF 2017-2018: Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil, divulgada hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Evidencia-se, assim, uma predominância de padrões de consumo alimentar baseados em alimentos frescos e em preparações culinárias”, afirma o órgão.

Segundo o levantamento, nas regiões Norte e Nordeste, no meio rural e entre famílias com menor renda, a participação de alimentos in natura ou minimamente processados e de ingredientes culinários foi ainda mais elevada, ultrapassando três quartos da disponibilidade domiciliar de alimentos.

O estudo indica que nas regiões Sul e Sudeste e entre famílias com maior renda, ainda que alimentos in natura ou minimamente processados e ingredientes culinários predominem, alimentos ultraprocessados já representam mais de um quinto das calorias ingeridas em casa. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, alimentos ultraprocessados correspondem, respectivamente, a 11,4%, 14,4% e 16,6% do total de calorias.

“A evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil, de 2002 a 2018, indica que alimentos in natura ou minimamente processados e ingredientes culinários processados, apesar de ainda serem predominantes, vêm perdendo espaço para alimentos processados e, especialmente, para alimentos ultraprocessados”, diz a pesquisa.

O acúmulo de tarefas dentro de casa e a falta de tempo levaram a confeiteira Patrícia Araújo a comprar mais produtos industrializados pela facilidade de estarem prontos para o consumo. Moradora de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, e mãe de dois filhos de 5 e 3 anos, ela conta que, até ter o segundo filho, a família tinha uma alimentação mais saudável. “A industrialização ajudou a dona de casa. Não é o melhor produto a ser consumido, mas é o que dá para fazer”.

No entanto, a pesquisa também indica que, apesar de a participação de alimentos ultraprocessados dentro das casas ter aumentado continuamente, observou-se desaceleração dessa tendência: aumento anual de 0,6 ponto percentual na porcentagem de calorias provenientes de ultraprocessados entre 2002-2003 e 2008-2009 e de 0,3 ponto percentual entre 2008-2009 e 2017-2018.

O IBGE avalia que essa desaceleração no consumo de ultraprocessados, observada no meio urbano e rural e em todas as regiões e estratos de renda, pode ser o resultado de políticas públicas implementadas no período mais recente, com destaque para ações baseadas no Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, “cuja regra de ouro recomenda basear a alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados e suas preparações culinárias e evitar alimentos ultraprocessados”.

Alimentos in natura e minimamente processados

Segundo o levantamento, dentre os alimentos in natura e minimamente processados, o arroz correspondeu a 15,6% das calorias totais, vindo, a seguir, com 5%, o leite, com 4,6%, as carnes de aves e, com 4,3%, o feijão. “Ainda relevantes na alimentação brasileira, aparecem a carne bovina (3,4% das calorias totais), as frutas (2,8%), o macarrão (2,7%), a farinha de milho, fubá e outras (2%), a farinha de mandioca (1,9%), a farinha de trigo (1,8%) e as raízes e tubérculos (1,2%). Verduras e legumes e ovos corresponderam a apenas 0,9% das calorias totais”, diz a pesquisa.

Dentre os ingredientes culinários processados, o óleo vegetal correspondeu a quase 11% das calorias totais, seguido pelo açúcar, com quase 10%.

Segundo o analista do IBGE, José Mauro de Freitas Júnior, houve, na média nacional, queda do consumo do arroz e feijão na casa dos brasileiros.”Mas o arroz e feijão está mais presente entre as famílias de menor rendimento”, disse. “Por outro lado, as pessoas estão comendo mais frutas”.

Ele também observa que a Região Norte tem uma média de aquisição de pescados maior que as outras regiões. Já no Nordeste, o consumo de carne nos domicílios é menor do que a média nacional.

O pesquisador também destaca a queda no consumo de carne de uma forma geral dentro de casa. “Existe uma tendência de substituição da carne. Tem um fator econômico, o aumento de preço da carne, mas não é só isso. Há também mudanças nos hábitos alimentares”.

Alimentos processados e ultraprocessados

De acordo com o IBGE, dentre os alimentos processados, o de maior contribuição para as calorias totais foi o pão (6,7% das calorias totais), seguido de queijos (1,4%), carnes salgadas, secas ou defumadas (0,7%) e bebidas alcoólicas fermentadas (0,7%).

“Finalmente, dentre os alimentos ultraprocessados, destacam-se frios e embutidos (2,5% das calorias totais), biscoitos e doces (2,1%), biscoitos salgados (1,8%), margarina (1,8%), bolos e tortas doces (1,5%), pães (1,3%), doces em geral (1,3%), bebidas adoçadas carbonatadas (1,2%) e chocolate (1%)”, afirma a pesquisa.

Ainda segundo o estudo, no que se refere à aquisição alimentar domiciliar per capita anual no Brasil em 2017-2018, destacam-se os seguintes grupos de alimentos: bebidas e infusões (52,475 kg), laticínios (32,211 kg), cereais e leguminosas (27,757 kg), frutas (26,414 kg), hortaliças (23,775 kg) e carnes (20,762 kg)

*Colaborou Tâmara Freire, Repórter da Rádio Nacional.

Emater/RS-Ascar atualiza estimativa de perdas pela estiagem da safra de soja e milho

Em caráter excepcional, por solicitação da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a Emater/RS-Ascar divulga, nesta quarta-feira (11/3), uma atualização da estimativa de perdas na produtividade, em relação aos dados inicialmente divulgados em agosto do ano passado, das culturas de soja (-32,3%) e milho (-26,3%) da safra 2019/2020.

Esses dados são referentes ao retrato da situação até a última segunda-feira (9/3), e não a uma projeção para o resultado após a safra. “A estiagem persiste, e esses números podem aumentar”, afirma o diretor técnico Alencar Ruger. Ele destaca ainda que o levantamento apresenta perdas de até 75% em alguns municípios, mas o dado refere-se a uma média estadual.

O presidente da instituição, Geraldo Sandri, ressalta que o monitoramento das lavouras é acompanhado periodicamente e não há previsão de uma nova divulgação de dados antes da conclusão da colheita.

SOJA
Estimativa produtividade média (kg/ha)
• Inicial: 3.315
• Atual: 2.245
• Variação: -32,3%

Estimativa produção (ton)
• Inicial: 19,7 milhões
• Atual: 13,3 milhões
• Variação: -32,2%

MILHO
Estimativa produtividade média (kg/ha)
• Inicial: 7.710
• Atual: 5.679
• Variação: -26,3%

Estimativa produção (ton)
• Inicial: 5,9 milhões
• Atual: 4,4 milhões
• Variação: -25,2%

 

* SECOM

À espera da chuva, produtores de soja do Rio Grande do Sul amargam prejuízos

Quebra de safra no estado gira em torno de 16% até o momento e poderá ser ainda pior

No Rio Grande do Sul, os produtores de soja estão preocupados. Isso porque a estiagem prejudicou o desenvolvimento das lavouras.

Segundo estimativa da Emater, divulgada essa semana, o estado deve colher cerca de 16,5 milhões de toneladas de soja, queda de 16% do que o esperado no início da temporada.

Os produtores gaúchos estão agora de olho no céu. Se chover nos próximos dias, a soja da área semeada mais tarde não vai sofrer tanto quanto a soja das lavouras precoces. Caso contrário, as perdas serão ainda maiores.

Só que a notícia não é boa para o produtores Rio Grande do Sul. Segundo meteorologistas, não tem previsão de chuva para os próximos dias.

*G1 RS / Globo Rural