OMS vai certificar versões genéricas de insulina para reduzir preço

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Atualmente, apenas três empresas controlam a maior parte do mercado global

A fim de reduzir o preço de insulina em todo o mundo e aumentar o número de pessoas em tratamento contra diabete, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou, na última quarta-feira, um programa piloto de avaliação de insulina humana produzida por diversos fabricantes. A ideia é fazer o que a OMS chama de pré-qualificação – testar e aprovar novas versões genéricas da droga de modo a encorajar as farmacêuticas a entrarem nesse mercado. Hoje, apenas três empresas controlam a maior parte do mercado global. Aumentando a competição, a expectativa é que os preços caiam.

A pré-qualificação também vai permitir que agências da ONU e organizações médicas não-governamentais, como Médicos sem Fronteiras, comprem as versões genéricas. A medida, anunciada um dia antes do Dia Mundial do Diabete (celebrado na quinta, 14), é parte de uma série de ações da organização para lidar com o número crescente de casos da doença em todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvimento.

Segundo a OMS, estima-se que haja cerca de 420 milhões de pessoas com diabete em todo o mundo – o número quadruplicou desde 1980. Cerca de 20 milhões de pessoas sofrem com diabete tipo 1 e precisam de injeções de insulina para sobreviver. Entre os pacientes com o tipo 2, estima-se que cerca de 65 milhões precisam de insulina, mas apenas metade tem condições de acessar a droga, em parte por causa dos altos preços.

A doença é a sétima principal causa de morte e uma das principais causas de complicações de alto custo e debilitantes, como ataques cardíacos, derrame, insuficiência renal, cegueira e amputações de membros inferiores. “O simples fato é que a prevalência de diabete está crescendo, a quantidade de insulina disponível para tratar o diabete é muito baixa, os preços são muito altos, por isso precisamos fazer alguma coisa”, disse Emer Cooke, diretora de Regulamentação de Medicamentos e outras Tecnologias de Saúde da OMS durante o lançamento da iniciativa.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que são “catastróficos” os impactos dos custos da insulina. “O diabete prejudica a saúde e mina as aspirações educacionais e de emprego para muitos, afetando as comunidades e levando as famílias a dificuldades econômicas”, disse Guterres, reforçando que isso ocorre particularmente em países de baixa e média renda.

Dados coletados pela OMS entre 2016 e 2019 em 24 países de quatro continentes mostraram que a insulina humana estava disponível apenas em 61% das unidades de saúde e versões análogas em 13%. De acordo com o levantamento, o suprimento de um mês de insulina custaria para um trabalhador em Acra, Gana, o equivalente a 5,5 dias de seu salário mensal – ou 22% de seus ganhos. Mesmo nos países ricos, revelou o estudo, há pessoas que precisam racionar suas doses de insulina, comprometendo o tratamento, o que pode ser fatal.

A expectativa é que a pré-qualificação possa aumentar a oferta, permitindo que a droga esteja disponível de modo constante para esses pacientes. Entre outras ações para melhorar o enfrentamento ao diabete no mundo, a OMS tem planos para atualizar as diretrizes de tratamento do diabete, elaborar estratégias de redução de preços para análogos e melhorar os sistemas de entrega e o acesso ao diagnóstico. A organização trabalha com países para também promover dietas saudáveis e atividade física para reduzir o risco das pessoas de desenvolver o diabete tipo 2.

Experiência com HIV

O sistema de pré-qualificação já foi usado pela OMS no passado para drogas usadas no tratamento da tuberculose, da malária e do HIV. De acordo com a diretora da organização, isso foi o que possibilitou que 80% dos pacientes com HIV hoje usem produtos genéricos. “Quando os anti-retrovirais foram produzidos, o custo por paciente por ano era de US$ 10.000”, afirmou Emer. “Quando abrimos a pré-qualificação para produtos genéricos contra o HIV, o preço caiu para US$ 300 por ano.

 

Fonte: CP/AE

 

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